sábado, 3 de novembro de 2018

Um livro que desestimula o suicídio e exalta a Vida.


Publiquei mais um romance espiritualista, “Parados na Porta do Céu”, agora com meu nome na capa. O meu primeiro romance, nesta categoria, publiquei com pseudônimo, foi muito bem vendido e, inclusive com críticas positivas no meio espiritualista, mas esse livro atual, com meu nome na capa, já recebeu críticas sem, ao menos, a pessoas terem lido. Por que será? Por que os tolos acham que você não pode ser multitarefa?

Nós não somos como as batatas, que nasceram batatas, cresceram batatas e são vendidas na feira como batatas e, todo mundo sabe que é batata. 
Mas, isso é o que muitos querem, que a gente seja um tubérculo.
 E sabe qual a razão? Eles são Batatas.
  
Continuando:

Eu escrevo Contos de Terror, crônicas, recordações, livro sobre a pornochanchada e há algum tempo, escrevo livros espiritualistas. 
Se meus escritos são perfeitos ou coerentes, dentro da norma padrão da língua portuguesa, eu não sei dizer. Costumo usar uma linguagem própria, a fim de que perdoem meus pecadilhos linguísticos. 
Ademais, creio que o livro corresponde aos ensinamentos da Doutrina Kardecista .


Por que alguém perde tempo criticando um livro que ainda nem leu? Por que relacionar meu trabalho de atriz com meus livros? Não sei e não me importo. Continuo escrevendo o que quero, quer seja bom ou ruim.

Eu não sou espírita, nem evangélica, nem católica, mas posso, quem sabe, escrever um romance evangélico ou católico, por que não? E, sou quem decide se eu posso ou não escrever.

Explicando um pouco, para parecer mais culta e fazer boa presença, mesmo sabendo que sou inculta.
Eu me defino, quase como uma niilista passiva. 
Admiro Nietsche e, ao mesmo tempo, Jung. Aprendi com o pai da psicologia analítica, o valor dos rituais sagrados na estruturação das culturas humanas, então tento absorver o que mais me agrada ou aquilo que, simplesmente, me deixa feliz. 

Nesta miscelânea de filosofia e estudos, um bocado paradoxal, eu consigo transitar livremente. Sabe por que? Porque sempre vai haver alguma razão, alguma lógica em pensamentos humanos divergentes. Só sinto pena de gente perniciosa querendo projetar seus defeitos nos outros.

Ninguém possui a chave certa da porta certa. 
A vida finita é curtíssima para que possamos entender, aprender e apreender tudo.
A brevidade de uma vida anula a possibilidade de conhecermos a verdade em sua totalidade. 

Quando, era mais nova, ficava noites sem dormir preocupada com tantos enigmas do Universo e dos seres humanos.
Conforme aumentei meus estudos de filosofia e, até mesmo, quando li A IGNORÂNCIA de Milan Kundera, percebi que ser ignorante é ser humano ou teríamos que ser Ulisses.  
Hoje eu durmo tranquilamente sem sonhos nem pesadelos, durmo profundamente e em 99 por cento das minhas manhãs, acordo de muito bom humor.

Bem, mas o que é  mesmo que eu estava falando?

Ah, dos quadrados (como dizíamos nos anos 70),  que estão embalsamados em ser isso ou ser aquilo, enquanto outros mais felizes e não embalsamados só se preocupam em fazer algo prazeroso e ainda conseguem ser isso e ser aquilo.

A propósito do livro PARADO NA PORTA DO CÉU:


- Já vendeu muito bem online quando eu usava um codinome e continua vendendo, razoavelmente, com minha assinatura na capa.



- Não, eu não o psicografei.

- Não, eu não sou médium.

- Não, eu não dou consulta espiritual.

E, 

- SIM, é uma excelente leitura que desestimula o suicídio e exalta a Vida
- SIM, auxilia na vitória sobre a depressão. 


O livro retrata a vida do meu tio suicida, irmão de meu pai, da mãe deles, do pai, avô e avó.

O restante, creio que "romanciei" legal. No livro, meu pai se chama Armando.

Respeito todas as religiões, mas não professo nenhuma. 

Leiam o que o Sr. Divino Advincula, um homem de cultura ímpar e sem preconceitos e que leu o livro "Parado Na Porta do Céu", escreveu a respeito do mesmo. 

Depois, se quiserem, encomendem Parado Na Porta do Céu, nas livrarias Cultura e Saraiva ou entrem no site, abaixo.


SOBRE O LIVRO DE NICOLE PUZZI por Divino Advincula.

A escritora, atriz e ferrenha defensora dos animais, Nicole Puzzi, escreveu e publicou mais um livro. Intitulado “Parado na porta do céu” é um romance espiritualista. Faz parte dos melhores que tive a alegria de ler. O seu novelo textual desenrola num mundo absolutamente fantástico e ao mesmo tempo humano, onde sentimentos e apreensões resvalam em regiões idealizadas como céu, lugares nebulosos, torrão e matéria. Do mesmo modo, na parte destinada aos encantos e desencantos das pessoas, Nicole alinhava muito bem os anseios muitas vezes contraditórios, como é próprio do ser humano, tais como amor, revolta, energia, desprendimento, improbabilidades e destinos. Tudo com enorme generosidade, delicadeza e sensibilidade características do seu espaço literário entendido como uma espécie de marca de minerais sobre o branco mármore. O livro é uma boa pedida para quem gosta de Theóphile Gautier até Stephen King, portanto, satisfaz pela sua abrangência e pela característica mais complicada e arriscada na arte de escrever: a inscrição do complexo nos entretons da simplicidade.       


ACESSE O LINK ABAIXO, PARA ADQUIRIR "PARADOS NA PORTA DO CÉU". 

https://www.clubedeautores.com.br/ptbr/search?utf8=%E2%9C%93&where=books&what=parado+na+porta+do+c%C3%A9u&sort=&topic_id=

sábado, 20 de outubro de 2018

Sem medo de falar em público


Tenho feito palestra sobre o medo de falar em público.
O resultado ultrapassa minhas expectativas.

Recebo congratulações e agradecimentos.

Muita gente, que tinha dificuldades para falar em alguma reunião, roda de amigos, na escola ou no trabalho, identificou - se com a pessoa que eu fui na adolescência. Reservada, calada, tímida.

Eu fui gaga até meus quinze anos ou um pouco mais. A dificuldade era monstruosa, mas na marra (sou marrenta, confesso), consegui me libertar e expressar o que sinto em palavras, porém, essa transição foi problemática. Comecei a falar tudo o que me vinha na cabeça. Esse não foi um bom começo. Levei umas bordoadas da vida e com um pouco de raciocínio, entendi/aprendi que não era esse o caminho. 

Hoje, tranquilamente, consigo me expressar com clareza e de forma gentil.
Sou uma estudiosa do ser humano. Sou uma estudiosa de mim mesma. 
Não me abalo com críticas, elogios não me seduzem, o que é um passo importantíssimo para bem falar e agradar quem ouve, mesmo quando minha opinião não esta em acordo com o público.

Superei o turbilhão de ataques e preconceitos com os quais convivi ao longo dos anos, contudo, só consegui superar através de minha atitude interna de transparência e minha palavra dita com verdade e limpidez.

Hoje, consigo navegar em meio à qualquer assunto, consigo me expressar com tranquilidade seja na frente de um grande público ou reuniões com poucas pessoas ou apenas uma. 
Ministro aulas para milionários, esportistas, campeões e gente muito simples. Converso com todas as classes sociais. Isto não significa que eu falo do que não entendo. Eu aprendo o que não conheço, somente pelo fato de saber me expressar, além de ensinar o que domino, sem parecer pedante nem hesitante.

Sinceridade, humildade e bom humor são algumas das chaves para se desprender do medo de abrir a boca em público e ter uma vida sem o medo que paralisa a garganta e faz transpirar as mãos.

Contato para palestras em empresas, escolas particulares, Grupos etc
Twitter  https://twitter.com/nicolepuzzi   - inbox 

Realizo palestras para Ongs, escolas municipais e estaduais, instituições benemerentes e refugiados com algum conhecimento em português etc, gratuitamente.

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Nau do parasita.

O solitário navegante anda por mares sombrios e neblinas espessas.
Na curta visão embaçada pela névoa, ele crê enxergar pessoas e as classifica, conforme a mente nublada pelo costume de navegar sem o sol. 
Há luzes e luzes no além trevas, mas esse navegante, oriundo de terras baixas e desabitadas, prefere o mar brumoso e a ele está tão habituado que sequer percebe as velas rasgadas, mofadas do gurupés.
O girar de sua cabeça é contínuo, desconexo. Por vezes, contempla por anos a fio uma imagem e a ela se apega, fanático, louco. Parasitário. Então guerreia, mata e morre em nome de uma efígie. Não é seu viver nem seu viço, nem seu verdadeiro ideal mas, como sanguessuga de si e de outros, ali se alimenta, de seu sangue e de muitos outros sangues, levando de roldão culpados e inocentes incautos.  
Como não tem movimento nos olhos, só suspeita e julga na escuridão aquilo que é seu reflexo. Odeia nos outros o que esconde em si, no cantão mais profundo de seu subconsciente. Persegue, pune, escraviza e destrói tudo que a ele se assemelha.   

Triste desflorescimento. 
Vicejando ao contrário, o lapidificado navegante persiste em sua cruzada desprovida de saberes  e provimentos. É nave ínfima a procura de sua suposta superioridade.
Razão pálida o guia por um gigantesco mar de cores, mas ele só enxerga o que lhe é conhecido na alma. O binóculo invertido mostra a distância de sua importância e grandiosidade.

Em geral, esse tolo navegante da nau parasitária, conluia - se aos senhores de ternos, de casacos de pele ou de trastes bem pensados. Apega - se facilmente à ideólogos e se submete aos que se proclamam Donos de Toda Providência.  



domingo, 26 de agosto de 2018

O começo do Fim

Li e vi, durante toda minha vida
histórias com fins trágicos, terríveis e melancólicos. 
A vida é terrível, melancólica e feita de tragédias.
Muitos tentam florear. 
Criam Livros e livros para explicar. 

Inventam Deus e deuses para justificar o estar perdido num ponto minúsculo do Cosmo.

Querem crer porque não possuem fé. Querem ter fé porque não creem.

Avalanche de dores seculares sem resposta, sem explicação.

Seres soltos no ar e presos na lama. 

Evoluir biologicamente é demorado demais, concluem. A magica da criação e suas grandiosidades
parece ser muito mais interessante, estimulante e empresta um ar de grandes coisas.

Somos lodo! - Gritam uns.
- Apenas moléculas reunidas - proclamam outros. 
- Somos o centro do Universo - Falam os perigosos ingênuos. 
O eterno embate prossegue com gritos, pedras polidas, machados, flechas, clava, punhais, trabucos, pistolas, fuzis, metralhadoras, bombas, palavras, marketing, políticos, calúnias ...... 


Eu só quero
ter uma casinha branca de varanda
Um quintal e uma janela
Para ver o sol nascer
Disse o sábio Peninha em 1979.
Acho que ele não achou 
a tal casinha
Nem eu.
Fim
E esse é um trágico, terrível e melancólico final.

terça-feira, 21 de agosto de 2018

Dom Quixote e Zaratustra

Não sou romântica, consequentemente não sou sentimental ou por não ser sentimental, não sou romântica.
Meu signo é Touro, mas não acredito em signos. E, isso não tem relevância nenhuma nem relação com o texto abaixo. 

DOM QUIXOTE E ZARATUSTRA
Tão diferentes, tão iguais. 
(É só minha opinião e nem é importante).

A Realidade mais clara e cruel, bem ao estilo Nietzsche, me satisfaz quase como uma refeição pesada, mas saborosa. Dom Quixote é a sobremesa amarga que vem em compotas adocicadas, fingidas de açucares e cores.
Meus olhos pequenos se apertam mais ainda quando vejo sonhadores errantes. - Dom Quixote é o mais fantástico sonhador que me toca a alma, pois ele era corajoso, mas temerário. Sonhou o impossível e acreditou mais na Quimera do que em seu oposto. No entanto, Dom Quixote me diverte com suas buscas ensandecidas por um Rumo, um Motivo (Exatamente como eu).
Humano, Dom Quixote é demasiadamente humano. 

Ah, mas Zaratustra é apaixonante.
Zaratustra é língua de fogo devorando os insensatos.
São dois sonhos febris, o sonho de Quixote e o de Zaratustra. O primeiro me encanta e eu o sigo em sua alucinante viagem do nada para o nada, exatamente como a mundanidade. 
O segundo me toma pelos cabelos e beija minha boca, me conquista na marra. Eu queria ter sido Lou Salomé. Queria ver de perto o louco mais são que já andou por este planeta. 
Eu queria ter sido Sancho e viajado com o sonhador mais realista que navegou pelas terras espanholas do mundo.

Detesto minhas filosofices.

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Viver não é preciso.



NAVEGAR É PRECISO

Navegue num mar de flores perfumadas, mesmo abarrotado de dores.
Dor passa, a vida passa. 

Viver não é preciso. 
Viver é estrada de concreto. É ter juízo.
É odiar e viver incompleto.
Rolar no chão com cólicas, lancinantes, sem amor, sem amantes. Sozinho, sem carinho, num tapete atrás da porta. 
Sentir o gelo da faca que corta e o sangue que escorre da esperança, que é a primeira que morre.
O Viver se apodera, escraviza, diminui a gente. Hipnotiza e arrasta para pedregulhos pontiagudos. 
Tormentoso flagelo.  

Navegar é macio, gotas de rocio. Estrada de espumas flutuantes, errantes, misteriosas, gostosas.
Eu tento navegar. Mas, não se deve tentar. Basta se soltar, sorrir, insistir. Sentir o ar que outro respira e respirar no mesmo compasso, tranquilo, sem embaraço.


 
Não tenha opiniões arraigadas. Enraizadas. Saia do banal.
Não se leve tão a sério..
 Ao final.... estaremos todos junto no cemitério.
  


sexta-feira, 16 de junho de 2017

EU NÃO SOU O QUE VOCÊ PENSA.



Todo mundo fala. Fala e fala.
Você é assim, desse jeito ou daquele outro jeito.
Pensam isso e aquilo a meu respeito. Ou nem se dão ao trabalho de pensar a meu respeito.
Ou nem respeitam ou respeitam de qualquer jeito.
Mas, eu não sou o que você pensa! 

Vivo normotensa. 
Sou hipotensa. Desmaio fácil. Morro mais fácil ainda, mas dizem que sou uma pessoa difícil. Incoerente. Eu não sei. Sempre me achei dócil e carente. 
E transparente, tão transparente que, penso que sou, mesmo, transparente.
Ninguém me olha, e se olha não me vê. E, quando vê, vai embora. 

Sou semissonora.
Sou sempre semi, se fosse uma guitarra, seria uma semi - acústica. Nem sólida nem acústica. Semi - sólida. Boa para Jazz e blues, sem microfonia. O meio termo da alegria. 

A alegria do Jazz e nostalgia do Blues. Sendo assim, tá bom. 




quinta-feira, 25 de maio de 2017

Somethings about George Harrison in my life... so unfair....

The dream ended a long time ago

I see you in the video....
mas o vídeo é apenas uma lembrança.


Uma imagem...
Uma foto...
Um video...

Mas não É.
Não existe, não mais, nunca mais.

Abstrata é a vida, por mais que pareça sólida.
Nem a rocha é sólida. Nem a água é liquida.
O sonho é abstrato?
O sonho é concreto. Tão concreto que dói sonhar. É apenas um desejo, uma vontade.

Tal qual Yoko Ono, com a voz rasgada, perturbadamente aguda e dissonante, pergunto, Why? Why? Why?
A resposta soa em meu ouvido
Ended up!

A vida existe por alguns instantes e, depois, nunca mais. Como você cantou, eu creio,
we're live in a bad dream.

Você não existe. Nunca existiu.
Tudo passa, tudo se acaba.
Uma noite fria e cinzenta pode durar uma vida toda. O amanhecer não dura o dia inteiro. O amanhecer já se foi, mas, eu acho que it´s always going to be this grey 

Li e ouvi você cantar que All things must pass away, mas eu não queria que você fosse embora.
Você não podia ter se tornado apenas uma imagem.

In my teenage dreams, you would handle me with care.

Deep in the darkest night

I send out a prayer to you

Now in the world of light

Where the spirit free of lies
And all else that we despised


terça-feira, 23 de maio de 2017

Um texto muito depressivo ou muito real.



Não há suavidade na vida.
Há maquiagem.

Onde reside a felicidade de algo finito? 
A finitude pode ser bela no espinho, mas não numa rosa.

Somos seres em constante deterioração. Nunca fomos permanentes. Seres alteráveis.
Altera - se o corpo. Altera - se a mente.
E, povoamos um mundo efêmero. Lutamos para preservar a fugacidade da vida de nossos filhos.

E nova geração surgirá. Louca, esquisita, contestadora, esfuziante, bela, dona do mundo, da verdade e da razão. 
E essa geração também irá se perder no vácuo do tempo.

Loucamente, corremos atrás da felicidade. Não existe. É efêmera. Deixa saudades e amargará a velhice, caso a benção do esquecimento não transformar cada história num vexame nublado de demência.

Presta - se homenagens aos mortos, mas eles não sabem. E, se a religião estiver certa e eles souberem das homenagens, que importa se já morreram? Não viverão para colher os louros das glórias nem corrigir os erros do que já passou. 

Afinal, o que move a vida é a morte infinita.



sexta-feira, 5 de maio de 2017

O amor que fiz ou sonhei ter feito.


ESSA NOITE VOCÊ VAI TER QUE SER MINHA.
                                                                 

Sim. Esta noite você vai ter que ser minha, música de Odair José.
Existe algo nas músicas populares que remetem a sedução, ao desejo intenso, vontade de se apaixonar, de se entregar com amor e paixão.

Essa música me remete à sobressaltada transição de minha adolescência para a juventude nos incríveis anos 70.

Nunca fui normal ou talvez fosse, mas eu me sentia um peixe grande demais para o lago de minha vida e, às vezes, um enfeite num aquário qualquer.  

Eu queria tanto que alguém me quisesse na mesma intensidade que sentia quando ouvia essa música. Talvez, um príncipe roqueiro ou alguém parecido com o George Harrison.

Idealizava, ainda idealizo, um moço cabeludo ou de cabelo sem pentear, magro, sorriso largo, que me olhasse nos olhos, guardasse a guitarra e dissesse: 
Quero ver no seu rosto o meu sorriso alegre.

Então, o sorriso brotaria de nossos lábios, e eu, completamente envolvida, apaixonada mesmo, com o coração batendo forte dentro do peito, responderia quase num soluço: 
Quero esquecer da vida pra viver o amor.

Emocionados, respirando o mesmo ar. Suspirando, como há muito quase ninguém suspira. Aquele suspiro fundo, quase dolorido, de quando o sexo era um acontecimento sagrado, bem antes de se tornar, apenas, mais uma transa com a banal finalidade de diminuir o estresse.
Ao tocar minha pele, por baixo da minha bata branca de rendas, eu desviaria o olhar, tímida e ansiando silenciosamente pelo amor.
Observaria, tolamente que ...
lá fora a chuva tá caindo e não vai parar.

Ele tomaria meu rosto em suas mãos, me encheria de beijos, mordendo meus lábios e, num sussurro, diria: 
Minha vida pode ter fim quando o dia chegar, mas que importa se hoje, estou com você e te amo tanto.

Eu fecharia sua boca com um roçar de meus lábios e o deixaria livre: Não precisa dizer nada pra não se arrepender, tem certos momentos na vida que o silêncio é melhor.

Um tanto melancólica, pois estava liberando – o dos dias seguintes, os quais eu esperava passar ao seu lado. Olharia a chuva caindo.
Nicole! Olhe pra mim. Esqueça que a chuva lá fora ainda não parou. Peça pra que o dia não chegue, pois você me encontrou.

Olho no olho, batimentos igualados, suor escorrendo do desejo, sobrecarregados de amor ofegante, um beijo ávido por entrelaçar corpo e alma, ele, finalmente, diria: 
Essa noite você vai ter que ser minha.

Separando os lábios molhados, facilitando para a retirada da minha blusa e sua camiseta, perdidamente apaixonada, eu gemeria baixo em seus ouvidos:
Esta noite vai ser feita pra nós dois, nem que seja dessa vez e nunca mais, só não quero deixar nada pra depois.

E, começaria o amor.






terça-feira, 25 de abril de 2017

À MULHER AMARGURADA.


MULHER AMARGURADA.


Essa é uma categoria bem povoada de mulheres. 
O termo é muito usado, por homens e mulheres, como ofensa cruel, quase brutal contra o sexo feminino.
 A Mulher Amargurada pode ter sido espezinhada pelo pai que nunca compreendeu o universo, além de sua valorizada masculinidade ou por falta de cultura ou falta de amor, mesmo. 
Possivelmente, a Amargurada é filha, neta e     bisneta de mulheres sofridas, incompreendidas e abafadas. Silenciosamente, aflitas. 
Obviamente, a Amargurada não teve uma vida fácil, pode ter sido abusada e até mesmo estuprada por amigos da família, parentes ou chefes. Medo de revelar, vergonha e vontade de esquecer geram a escuridão angustiada. O abismo das dores escondidas, afiadas, não cicatrizadas.
Castrada em suas ânsias infantis, podada em sua euforia de adolescente e subjugada na juventude. O "não pode" "é feio" "ridícula" "puta" "burra" perturba seus ouvidos como zumbido ininterrupto.
Por certo, a Amargurada não recebeu muito apoio de outras mulheres. 
Não foi compreendida. Ninguém nunca se colocou em seu lugar. Ignoraram suas dores e não aceitaram sua alegria. 
Andou em noites mentais povoadas de pesadelo, de sentimento frustrante ao ver a imagem de mulheres, supostamente mais bem sucedidas, bonitas e felizes. Sente um ímpeto em impedir nas outras, aquilo que devoraram nela, no seu passado, no seu futuro e no seu agora. 
Foram tantas dores, tanto absinto que foi obrigada a engolir, que ela nem percebeu a casca, agoniada, encapsulando - a.
Em sua maioria, a Amargurada é descuidada do corpo e critica o corpo alheio. Despreza outras mulheres, levando adiante o desprezo que a perseguiu no passado. Uma fuga de si mesma.

Por outro lado, a rosa murcha nega a própria sensibilidade, represa o amor, destrói relacionamentos e costuma se achar uma tola, um ser estranho, um incômodo, um nada. 

Mas...
De repente, do fundo de sua alma, ela ressurge. Ela, sempre, pode ressurgir.

É incrível e prazeroso presenciar o despertar dessas mulheres para sua beleza, exterior e interior, observar quando acendem a pira de seu amor próprio e o clarão iluminado, tal qual um raio, vem revelar sua importância íntima, sua importância no Universo. 
Nesse instante, ela entra em mutação e se transforma numa vencedora, bela, serena e decidida a não se ferir mais, a não ferir, a não permitir que a firam como no passado. Compreende as outras fêmeas, aceita suas alegrias e se torna competente em identificar e compreender a vida de outras iguais. Não fica inerte. Age!
Mulher de aço e ouro, forjada no fogo e auto superada no seu amor feminino, na gentileza da Leoa com filhotes e no voo da águia. 
Será vencedora em sua profissão, na parceria do casamento e na sabedoria nos dias de sua velhice.

O homem nem a mulher serão seus inimigos se você, mulher, se tornar amiga intima de você mesma, ter amor pela sua imagem física, moral e espiritual e, ser empática com as suas iguais.


  Serenidade. Decisão. Beleza. 
Amor próprio
FÊMEA E FORTE.

domingo, 9 de abril de 2017

Realidade ou pesadelo na Itália.


Há alguns anos, quando morava em Roma, experienciei uma situação terrível. 
Fui trancafiada num apartamento, em Tor Pignata, por um homem, cuja aparência, jamais demonstraria sua psicopatia. Ele não me agrediu nem me estuprou. Apenas, tentou sequestrar minha vida, minha liberdade. Era algo pertinente à doença dele. Usurpar e destruir a mulher. 
Eu era amiga da esposa dele há muitos anos. Ela era brasileira, ele, italiano. Convidaram e aceitei passar alguns dias com o casal. Nada aparentava o terror com qual eu iria me deparar. Os dois pareciam um casal normal, num belo apartamento. No entanto, quando fui visitar, por insistência dele, o local onde, com orgulho,  ele dizia manter um tipo de zoológico particular, percebi a sombra de sua loucura. Era um andar escuro, fechado, claustrofóbico, com muitas gaiolas aprisionando belos pássaros e muitos anfíbios. Partiu meu coração. Chorei pela tristeza e medo refletidos nos olhos daqueles pobres animais. Então, tomei uma atitude, resolvi sair da casa deles, ir para Londres e na volta, seguiria direto para meu apartamento em Ferentino, onde iria assumir meu emprego, já definido desde o Brasil. Precisava aprender melhor o idioma italiano, conhecer as leis italianas de proteção animal para, se possível, denuncia - lo. 
Na ida para a capital da Inglaterra, o casal insistiu e, deixei minhas malas pesadas em sua residência. Na volta, fui busca - las com a pretensão de partir imediatamente para Ferentino. 
Eles conversavam, conversavam e eu, nem sei porque, fui ficando meio apática, sonolenta. Cochilei no sofá. 
Acordei com o choro da minha amiga brasileira. Ela aparentava um desespero que jamais, havia visto naquela mulher. Uma ansiedade e medo tomou conta de mim. Tentava entender o que estava se passando. Ela falava coisas desconexas. Xingava o marido, os falecidos sogros, falava de sua desgraça na vida. Não sei como, consegui acalma - la. Não queria deixar minha amiga sozinha, por isso não fui para Ferentino naquele dia.
No dia seguinte, constatei uma dura realidade, que nunca imaginei passar. 
Um filme de terror. 
O apartamento estava fechado, as chaves tinham sumido e a mulher, completamente, desvairada. O marido italiano tinha ido para a campagna . Aos poucos, entendi que estava presa naquele local, sem meu celular, sem telefone, sem ter como pedir socorro, pois todos naquele prédio o temiam e eram seus parentes. 
No pior momento, mantenha a calma. - Pensei. 
Usei toda a paz que sempre busquei e mantive - me calma. Ele voltou. Percebi que estava irracional, seu olhar mudado. Pedi que abrisse a porta e ele ficou muito nervoso e ofendido. Fez um discurso sobre a grandeza perdida de Roma. Um discurso fascista, como eu nunca tinha ouvido antes. Parecia uma cópia de Mussolini falando. Metia medo, pois ele era muito parecido, fisicamente, com Il Duce
Saiu novamente e trancou a porta. 
Procurei em todos os cantos da casa a fim de encontrar uma cópia, mas nada. Tentar abrir com uma faca seria tentativa vã. A porta possuía seis trancas.
Pensei em pedir socorro pela janela, mas foi inútil. 
Enquanto isso, a mulher ficava ralando queijo, ralando queijo, ralando queijo e cortando pães. 
Não dormia nunca! 
Eu ficava com o coração partido por vê - la tão doente, mas não sabia como proceder. Precisava sair dali. 
Eu me sentia igual às lindas aves naquele andar escuro.
Minha vida no Brasil parecia um sonho distante. Irreal. 
Reagi a isso, mantendo a calma, mas meu corpo não me obedecia, tremia com a sensação de choques elétricos.
Foram poucos dias, mas pareceu uma eternidade. 
Certa noite, eu mostrei um bom humor que estava longe de sentir. Conversei com ele e entrei em sua paranoia, concordando com tudo o que ele falava e, citei várias passagens da vida nojenta de Mussolini como se fossem, extremamente, impecáveis, corretas, maravilhosas. 
Não deu outra. O homem se distraiu e esqueceu as chaves.
Fugi no meio da noite. 
Retomei minha vida, rapidamente para não sucumbir, e depois, aos poucos, refleti e busquei terapia.

Dessa experiência surreal, porém real, a fim de expurgar aqueles dias de tristes lembranças, escrevi uma saga de terror, ainda inédita, chamada: 

COMO POSSO MORIRE TANTE VOLTE? 



segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Nietzsche - Uma simples visão de iniciante."Quando se olha muito tempo para um abismo, o abismo olha para você." Friedrich Nietzsche


Nietzsche penetra em mim e eu sinto, mas falta muito para sair do sentido e cavalgar na razão.
Não o compreendo, mas me arrebata. Causa vertigem e ansiedade.
Consigo apenas escrever, de maneira muito simplista.

 "Aquele que luta com monstros deve acautelar-se para não tornar-se também um monstro. Quando se olha muito tempo para um abismo, o abismo olha para você."
ENTREI EM UM MUNDO ESTRANHO.

Na beira do abismo, sempre andei. E, certo dia ou noite, não sei ao certo, eu desafiei e olhei para baixo. 

OLHEI PARA O ABISMO.
Aos poucos, das trevas abissais, foram surgindo dois olhos sem brilho e nem cor. Apenas olhos que me olhavam de volta. Olhos inertes, sem vida, porém, perigosamente, mortais. 
O abismo me olhava de volta e estremeci.
QUEM ME OLHAVA LÁ DE DENTRO?
Era o abismo ou era eu?
Tentei desviar meu olhar para o utópico céu, eternamente azul e perfeito, mas algo se mexeu dentro das profundidades escuras e sibilantes. Tive de retornar as vistas ao poço de breu.
Havia vida no abismo? Sim, havia vida se esvaindo nas profundezas.
Que vida era essa? Era a minha? Era de estranhos? Era, apenas, vida desassossegada, impenetrável e vencida. 
Eram meus olhos sofridos e angustiados inquirindo minhas dúvidas, incertezas e crenças. Era eu mesma que me olhava, que me atraia para o fundo, para a anulação de mim mesma. Era a jovem que fez escolhas, que reprimira seus desejos, sua inteligência e sua vida por ser servil e obediente aos murmúrios externos. Era uma vida escravizada, padronizada. E, das sombras, cresceram monstros e eu os vi, reagi e lutei. Combati os monstros e suas sombras colossais. 
Por muito tempo, fixei minhas vistas no abismo, porém, por pouco tempo lutei contra as sombras de monstros. 
Fiquei inconsciente, o nada me invadiu, despertei com a descrença sutil batendo feito um martelo. Quis subir para o patamar mais alto. Vi a morte do meu passado covarde. Não me amedrontei. 
Sei que o abismo existe e eu existo, mas também não sei. Não me importo e me importo.
Retornei do abismo. Não sei se retornei. Sei que irei retornar. 
Os monstros existem, mas são dissipáveis. 
Eterna luta. Eterno retorno. Eterna vida.


Loucura ou realidade? O que é mais insano? 






sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

A VELHICE E A VERGONHA - breve reflexão



A velhice iguala os que foram jovens belos ou jovens feios.
O dinheiro promove uma vida mais saudável, óbvio, mas não é sobre isso que falo.
Por mais grana, boa genética e tratamentos rejuvenescedores, chega uma hora que a degradação física é inexorável. Retira tudo aquilo que foi belo no passado de aparências fisionômicas.


Não há Dorian Grey no retrato.

Se esse é o destino de todos, sem exceção, então porque sofrem, as pessoas?
A evolução invertida, do aspecto corporal e facial, não deveria incomodar tanto. Não deveria ser motivo de bullying por aqueles seguidores do mesmo longo e sinuoso caminho, que leva à porta da deterioração de carnes.

E a vergonha que segue as rugas e languidez dos tecidos corporais? Incompreensível, já que, por enquanto essa é a porta que o longo e sinuoso caminho desemboca.
É complicado ser vivo.


NADA É PERENE.



5 de agosto de 1962, 
Brentwood, Los Angeles, Califórnia, EUA


30 de setembro de 1955, 
Cholame, Califórnia, EUA