sexta-feira, 16 de junho de 2017

EU NÃO SOU O QUE VOCÊ PENSA.



Todo mundo fala. Fala e fala.
Você é assim, desse jeito ou daquele outro jeito.
Pensam isso e aquilo a meu respeito. Ou nem se dão ao trabalho de pensar a meu respeito.
Ou nem respeitam ou respeitam de qualquer jeito.
Mas, eu não sou o que você pensa! 

Vivo normotensa. 
Sou hipotensa. Desmaio fácil. Morro mais fácil ainda, mas dizem que sou uma pessoa difícil. Incoerente. Eu não sei. Sempre me achei dócil e carente. 
E transparente, tão transparente que, penso que sou, mesmo, transparente.
Ninguém me olha, e se olha não me vê. E, quando vê, vai embora. 

Sou semissonora.
Sou sempre semi, se fosse uma guitarra, seria uma semi - acústica. Nem sólida nem acústica. Semi - sólida. Boa para Jazz e blues, sem microfonia. O meio termo da alegria. 

A alegria do Jazz e nostalgia do Blues. Sendo assim, tá bom. 



quinta-feira, 25 de maio de 2017

Somethings about George Harrison in my life... so unfair....

The dream ended a long time ago

I see you in the video....
mas o vídeo é apenas uma lembrança.


Uma imagem...
Uma foto...
Um video...

Mas não É.
Não existe, não mais, nunca mais.

Abstrata é a vida, por mais que pareça sólida.
Nem a rocha é sólida. Nem a água é liquida.
O sonho é abstrato?
O sonho é concreto. Tão concreto que dói sonhar. É apenas um desejo, uma vontade.

Tal qual Yoko Ono, com a voz rasgada, perturbadamente aguda e dissonante, pergunto, Why? Why? Why?
A resposta soa em meu ouvido
Ended up!

A vida existe por alguns instantes e, depois, nunca mais. Como você cantou, eu creio,
we're live in a bad dream.

Você não existe. Nunca existiu.
Tudo passa, tudo se acaba.
Uma noite fria e cinzenta pode durar uma vida toda. O amanhecer não dura o dia inteiro. O amanhecer já se foi, mas, eu acho que it´s always going to be this grey 

Li e ouvi você cantar que All things must pass away, mas eu não queria que você fosse embora.
Você não podia ter se tornado apenas uma imagem.

In my teenage dreams, you would handle me with care.

Deep in the darkest night

I send out a prayer to you

Now in the world of light

Where the spirit free of lies
And all else that we despised


terça-feira, 23 de maio de 2017

Um texto muito depressivo ou muito real.



Não há suavidade na vida.
Há maquiagem.

Onde reside a felicidade de algo finito? 
A finitude pode ser bela no espinho, mas não numa rosa.

Somos seres em constante deterioração. Nunca fomos permanentes. Seres alteráveis.
Altera - se o corpo. Altera - se a mente.
E, povoamos um mundo efêmero. Lutamos para preservar a fugacidade da vida de nossos filhos.

E nova geração surgirá. Louca, esquisita, contestadora, esfuziante, bela, dona do mundo, da verdade e da razão. 
E essa geração também irá se perder no vácuo do tempo.

Loucamente, corremos atrás da felicidade. Não existe. É efêmera. Deixa saudades e amargará a velhice, caso a benção do esquecimento não transformar cada história num vexame nublado de demência.

Presta - se homenagens aos mortos, mas eles não sabem. E, se a religião estiver certa e eles souberem das homenagens, que importa se já morreram? Não viverão para colher os louros das glórias nem corrigir os erros do que já passou. 

Afinal, o que move a vida é a morte infinita.



sexta-feira, 5 de maio de 2017

O amor que fiz ou sonhei ter feito.


ESSA NOITE VOCÊ VAI TER QUE SER MINHA.
                                                                 

Sim. Esta noite você vai ter que ser minha, música de Odair José.
Existe algo nas músicas populares que remetem a sedução, ao desejo intenso, vontade de se apaixonar, de se entregar com amor e paixão.

Essa música me remete à sobressaltada transição de minha adolescência para a juventude nos incríveis anos 70.

Nunca fui normal ou talvez fosse, mas eu me sentia um peixe grande demais para o lago de minha vida e, às vezes, um enfeite num aquário qualquer.  

Eu queria tanto que alguém me quisesse na mesma intensidade que sentia quando ouvia essa música. Talvez, um príncipe roqueiro ou alguém parecido com o George Harrison.

Idealizava, ainda idealizo, um moço cabeludo ou de cabelo sem pentear, magro, sorriso largo, que me olhasse nos olhos, guardasse a guitarra e dissesse: 
Quero ver no seu rosto o meu sorriso alegre.

Então, o sorriso brotaria de nossos lábios, e eu, completamente envolvida, apaixonada mesmo, com o coração batendo forte dentro do peito, responderia quase num soluço: 
Quero esquecer da vida pra viver o amor.

Emocionados, respirando o mesmo ar. Suspirando, como há muito quase ninguém suspira. Aquele suspiro fundo, quase dolorido, de quando o sexo era um acontecimento sagrado, bem antes de se tornar, apenas, mais uma transa com a banal finalidade de diminuir o estresse.
Ao tocar minha pele, por baixo da minha bata branca de rendas, eu desviaria o olhar, tímida e ansiando silenciosamente pelo amor.
Observaria, tolamente que ...
lá fora a chuva tá caindo e não vai parar.

Ele tomaria meu rosto em suas mãos, me encheria de beijos, mordendo meus lábios e, num sussurro, diria: 
Minha vida pode ter fim quando o dia chegar, mas que importa se hoje, estou com você e te amo tanto.

Eu fecharia sua boca com um roçar de meus lábios e o deixaria livre: Não precisa dizer nada pra não se arrepender, tem certos momentos na vida que o silêncio é melhor.

Um tanto melancólica, pois estava liberando – o dos dias seguintes, os quais eu esperava passar ao seu lado. Olharia a chuva caindo.
Nicole! Olhe pra mim. Esqueça que a chuva lá fora ainda não parou. Peça pra que o dia não chegue, pois você me encontrou.

Olho no olho, batimentos igualados, suor escorrendo do desejo, sobrecarregados de amor ofegante, um beijo ávido por entrelaçar corpo e alma, ele, finalmente, diria: 
Essa noite você vai ter que ser minha.

Separando os lábios molhados, facilitando para a retirada da minha blusa e sua camiseta, perdidamente apaixonada, eu gemeria baixo em seus ouvidos:
Esta noite vai ser feita pra nós dois, nem que seja dessa vez e nunca mais, só não quero deixar nada pra depois.

E, começaria o amor.






terça-feira, 25 de abril de 2017

À MULHER AMARGURADA.


MULHER AMARGURADA.


Essa é uma categoria bem povoada de mulheres. 
O termo é muito usado, por homens e mulheres, como ofensa cruel, quase brutal contra o sexo feminino.
 A Mulher Amargurada pode ter sido espezinhada pelo pai que nunca compreendeu o universo, além de sua valorizada masculinidade ou por falta de cultura ou falta de amor, mesmo. 
Possivelmente, a Amargurada é filha, neta e     bisneta de mulheres sofridas, incompreendidas e abafadas. Silenciosamente, aflitas. 
Obviamente, a Amargurada não teve uma vida fácil, pode ter sido abusada e até mesmo estuprada por amigos da família, parentes ou chefes. Medo de revelar, vergonha e vontade de esquecer geram a escuridão angustiada. O abismo das dores escondidas, afiadas, não cicatrizadas.
Castrada em suas ânsias infantis, podada em sua euforia de adolescente e subjugada na juventude. O "não pode" "é feio" "ridícula" "puta" "burra" perturba seus ouvidos como zumbido ininterrupto.
Por certo, a Amargurada não recebeu muito apoio de outras mulheres. 
Não foi compreendida. Ninguém nunca se colocou em seu lugar. Ignoraram suas dores e não aceitaram sua alegria. 
Andou em noites mentais povoadas de pesadelo, de sentimento frustrante ao ver a imagem de mulheres, supostamente mais bem sucedidas, bonitas e felizes. Sente um ímpeto em impedir nas outras, aquilo que devoraram nela, no seu passado, no seu futuro e no seu agora. 
Foram tantas dores, tanto absinto que foi obrigada a engolir, que ela nem percebeu a casca, agoniada, encapsulando - a.
Em sua maioria, a Amargurada é descuidada do corpo e critica o corpo alheio. Despreza outras mulheres, levando adiante o desprezo que a perseguiu no passado. Uma fuga de si mesma.

Por outro lado, a rosa murcha nega a própria sensibilidade, represa o amor, destrói relacionamentos e costuma se achar uma tola, um ser estranho, um incômodo, um nada. 

Mas...
De repente, do fundo de sua alma, ela ressurge. Ela, sempre, pode ressurgir.

É incrível e prazeroso presenciar o despertar dessas mulheres para sua beleza, exterior e interior, observar quando acendem a pira de seu amor próprio e o clarão iluminado, tal qual um raio, vem revelar sua importância íntima, sua importância no Universo. 
Nesse instante, ela entra em mutação e se transforma numa vencedora, bela, serena e decidida a não se ferir mais, a não ferir, a não permitir que a firam como no passado. Compreende as outras fêmeas, aceita suas alegrias e se torna competente em identificar e compreender a vida de outras iguais. Não fica inerte. Age!
Mulher de aço e ouro, forjada no fogo e auto superada no seu amor feminino, na gentileza da Leoa com filhotes e no voo da águia. 
Será vencedora em sua profissão, na parceria do casamento e na sabedoria nos dias de sua velhice.

O homem nem a mulher serão seus inimigos se você, mulher, se tornar amiga intima de você mesma, ter amor pela sua imagem física, moral e espiritual e, ser empática com as suas iguais.


  Serenidade. Decisão. Beleza. 
Amor próprio
FÊMEA E FORTE.

domingo, 9 de abril de 2017

Realidade ou pesadelo na Itália.


Há alguns anos, quando morava em Roma, experienciei uma situação terrível. 
Fui trancafiada num apartamento, em Tor Pignata, por um homem, cuja aparência, jamais demonstraria sua psicopatia. Ele não me agrediu nem me estuprou. Apenas, tentou sequestrar minha vida, minha liberdade. Era algo pertinente à doença dele. Usurpar e destruir a mulher. 
Eu era amiga da esposa dele há muitos anos. Ela era brasileira, ele, italiano. Convidaram e aceitei passar alguns dias com o casal. Nada aparentava o terror com qual eu iria me deparar. Os dois pareciam um casal normal, num belo apartamento. No entanto, quando fui visitar, por insistência dele, o local onde, com orgulho,  ele dizia manter um tipo de zoológico particular, percebi a sombra de sua loucura. Era um andar escuro, fechado, claustrofóbico, com muitas gaiolas aprisionando belos pássaros e muitos anfíbios. Partiu meu coração. Chorei pela tristeza e medo refletidos nos olhos daqueles pobres animais. Então, tomei uma atitude, resolvi sair da casa deles, ir para Londres e na volta, seguiria direto para meu apartamento em Ferentino, onde iria assumir meu emprego, já definido desde o Brasil. Precisava aprender melhor o idioma italiano, conhecer as leis italianas de proteção animal para, se possível, denuncia - lo. 
Na ida para a capital da Inglaterra, o casal insistiu e, deixei minhas malas pesadas em sua residência. Na volta, fui busca - las com a pretensão de partir imediatamente para Ferentino. 
Eles conversavam, conversavam e eu, nem sei porque, fui ficando meio apática, sonolenta. Cochilei no sofá. 
Acordei com o choro da minha amiga brasileira. Ela aparentava um desespero que jamais, havia visto naquela mulher. Uma ansiedade e medo tomou conta de mim. Tentava entender o que estava se passando. Ela falava coisas desconexas. Xingava o marido, os falecidos sogros, falava de sua desgraça na vida. Não sei como, consegui acalma - la. Não queria deixar minha amiga sozinha, por isso não fui para Ferentino naquele dia.
No dia seguinte, constatei uma dura realidade, que nunca imaginei passar. 
Um filme de terror. 
O apartamento estava fechado, as chaves tinham sumido e a mulher, completamente, desvairada. O marido italiano tinha ido para a campagna . Aos poucos, entendi que estava presa naquele local, sem meu celular, sem telefone, sem ter como pedir socorro, pois todos naquele prédio o temiam e eram seus parentes. 
No pior momento, mantenha a calma. - Pensei. 
Usei toda a paz que sempre busquei e mantive - me calma. Ele voltou. Percebi que estava irracional, seu olhar mudado. Pedi que abrisse a porta e ele ficou muito nervoso e ofendido. Fez um discurso sobre a grandeza perdida de Roma. Um discurso fascista, como eu nunca tinha ouvido antes. Parecia uma cópia de Mussolini falando. Metia medo, pois ele era muito parecido, fisicamente, com Il Duce
Saiu novamente e trancou a porta. 
Procurei em todos os cantos da casa a fim de encontrar uma cópia, mas nada. Tentar abrir com uma faca seria tentativa vã. A porta possuía seis trancas.
Pensei em pedir socorro pela janela, mas foi inútil. 
Enquanto isso, a mulher ficava ralando queijo, ralando queijo, ralando queijo e cortando pães. 
Não dormia nunca! 
Eu ficava com o coração partido por vê - la tão doente, mas não sabia como proceder. Precisava sair dali. 
Eu me sentia igual às lindas aves naquele andar escuro.
Minha vida no Brasil parecia um sonho distante. Irreal. 
Reagi a isso, mantendo a calma, mas meu corpo não me obedecia, tremia com a sensação de choques elétricos.
Foram poucos dias, mas pareceu uma eternidade. 
Certa noite, eu mostrei um bom humor que estava longe de sentir. Conversei com ele e entrei em sua paranoia, concordando com tudo o que ele falava e, citei várias passagens da vida nojenta de Mussolini como se fossem, extremamente, impecáveis, corretas, maravilhosas. 
Não deu outra. O homem se distraiu e esqueceu as chaves.
Fugi no meio da noite. 
Retomei minha vida, rapidamente para não sucumbir, e depois, aos poucos, refleti e busquei terapia.

Dessa experiência surreal, porém real, a fim de expurgar aqueles dias de tristes lembranças, escrevi uma saga de terror, ainda inédita, chamada: 

COMO POSSO MORIRE TANTE VOLTE? 



segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Nietzsche - Uma simples visão de iniciante."Quando se olha muito tempo para um abismo, o abismo olha para você." Friedrich Nietzsche


Nietzsche penetra em mim e eu sinto, mas falta muito para sair do sentido e cavalgar na razão.
Não o compreendo, mas me arrebata. Causa vertigem e ansiedade.
Consigo apenas escrever, de maneira muito simplista.

 "Aquele que luta com monstros deve acautelar-se para não tornar-se também um monstro. Quando se olha muito tempo para um abismo, o abismo olha para você."
ENTREI EM UM MUNDO ESTRANHO.

Na beira do abismo, sempre andei. E, certo dia ou noite, não sei ao certo, eu desafiei e olhei para baixo. 

OLHEI PARA O ABISMO.
Aos poucos, das trevas abissais, foram surgindo dois olhos sem brilho e nem cor. Apenas olhos que me olhavam de volta. Olhos inertes, sem vida, porém, perigosamente, mortais. 
O abismo me olhava de volta e estremeci.
QUEM ME OLHAVA LÁ DE DENTRO?
Era o abismo ou era eu?
Tentei desviar meu olhar para o utópico céu, eternamente azul e perfeito, mas algo se mexeu dentro das profundidades escuras e sibilantes. Tive de retornar as vistas ao poço de breu.
Havia vida no abismo? Sim, havia vida se esvaindo nas profundezas.
Que vida era essa? Era a minha? Era de estranhos? Era, apenas, vida desassossegada, impenetrável e vencida. 
Eram meus olhos sofridos e angustiados inquirindo minhas dúvidas, incertezas e crenças. Era eu mesma que me olhava, que me atraia para o fundo, para a anulação de mim mesma. Era a jovem que fez escolhas, que reprimira seus desejos, sua inteligência e sua vida por ser servil e obediente aos murmúrios externos. Era uma vida escravizada, padronizada. E, das sombras, cresceram monstros e eu os vi, reagi e lutei. Combati os monstros e suas sombras colossais. 
Por muito tempo, fixei minhas vistas no abismo, porém, por pouco tempo lutei contra as sombras de monstros. 
Fiquei inconsciente, o nada me invadiu, despertei com a descrença sutil batendo feito um martelo. Quis subir para o patamar mais alto. Vi a morte do meu passado covarde. Não me amedrontei. 
Sei que o abismo existe e eu existo, mas também não sei. Não me importo e me importo.
Retornei do abismo. Não sei se retornei. Sei que irei retornar. 
Os monstros existem, mas são dissipáveis. 
Eterna luta. Eterno retorno. Eterna vida.


Loucura ou realidade? O que é mais insano? 






sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

A VELHICE E A VERGONHA - breve reflexão



A velhice iguala os que foram jovens belos ou jovens feios.
O dinheiro promove uma vida mais saudável, óbvio, mas não é sobre isso que falo.
Por mais grana, boa genética e tratamentos rejuvenescedores, chega uma hora que a degradação física é inexorável. Retira tudo aquilo que foi belo no passado de aparências fisionômicas.


Não há Dorian Grey no retrato.

Se esse é o destino de todos, sem exceção, então porque sofrem, as pessoas?
A evolução invertida, do aspecto corporal e facial, não deveria incomodar tanto. Não deveria ser motivo de bullying por aqueles seguidores do mesmo longo e sinuoso caminho, que leva à porta da deterioração de carnes.

E a vergonha que segue as rugas e languidez dos tecidos corporais? Incompreensível, já que, por enquanto essa é a porta que o longo e sinuoso caminho desemboca.
É complicado ser vivo.


NADA É PERENE.



5 de agosto de 1962, 
Brentwood, Los Angeles, Califórnia, EUA


30 de setembro de 1955, 
Cholame, Califórnia, EUA

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Espumas flutuantes dissipadas.

Meia noite, metade da noite.
Ao ouvir o som do relógio marcando meia - noite, algo se move dentro de mim. Algo secreto, dolorido e aceitado, porque havia de vir e veio. Não veio antes nem depois da hora, veio na hora certa.
Chegou tão devagarinho e tão rápido que parece que sempre esteve aqui e eu nem percebi. Quando vi, embranqueci. (Esse fio já estava aqui, ontem? Nem percebi.)
Um dia brilhante, agradável, ensolarado, quando chega à noite traz cansaço e sensação de vida a ser e querer ser vivida. Mas é meia noite. Despedidas necessárias. As folhas do livro encontrando a capa dura de fechamento.
Não bate desespero, mas como disse aquele Millor: que pena.
O sorvete acabou. O salão da festa esta esvaziando. Que pena.
O amigo estava aqui mesmo, naquela mesa, onde ele sentava sempre. A mesa olha entristecida, já não se preocupa mais em ser receptiva e se quebra. Cai o copo, derruba a cerveja, esmaece o sol. E, então, chega à meia noite. Ao meio da noite, não ao meio dia. O meio dia faz tanto tempo e parece que foi agorinha mesmo, quase que da pra tocar nele, mas não da. Já foi tocado e só se toca uma vez.
Virá o alvorecer? Não. Que pena.
As espumas flutuantes, flutuam e se dissipam.
Quando se aprende a sambar, a escola está na dispersão. Que pena.
No melhor da festa, os amigos vão parando de dançar. A valsa não rodopia, o rock guarda a guitarra, definitivamente.
Vinícius, meu poeta, permita - me repetir sua pergunta:
- Escuta Amigo, se foi pra desfazer por que é que fez?


domingo, 1 de janeiro de 2017

Sonho Estranho.



Cansada, deitei e dormi, imediatamente e, tive um sonho meio estranho.
Senhores e senhoras, mais estudados e inteligentes que eu e que poderão me criticar, um aviso.
Não ouso interpretar sonhos. Meu pouco conhecimento sobre Jung, Freud e James Allan Hobson, não me permite aprofundamento nas simbologias primordiais, desejos reprimidos ou situar esses momentos oníricos como meros subprodutos da atividade cerebral durante a noite.
Acho mesmo, que sonho pode ser qualquer uma dessas definições ou nenhuma delas.
Por outro lado, não creio em oniromancia, embora como toda pessoa criada na religião judaico - cristã, sempre desconfio de algo sobrenatural em coisas que não entendo.
Opiniões, arquétipos e ciência de lado, eu quero, como qualquer humano acanhado, contar o que sonhei. Todo mundo gosta de contar o que sonhou na noite passada, eu também.
Mas, meus caros, estou fazendo rodeios demais. Vamos ao sonho, que já não me parece, assim, tão interessante aos ouvidos e olhos de algumas pessoas espertas. 
Tenham paciência e me ouçam, ou melhor, me leiam ou... Vamos em frente.
Gosta de animais?
Eu amo. Acho que por isso sonhei.
Sonhei que estava em um lindo lugar. Lugar cheio de uma luz, quase dourada se não fosse a intensidade da mesma. E, apesar da claridade, essa luz não machucava as retinas, ao contrário, acalmava.
Ouvi uma tropelia ao longe, muito longe. Fiquei receosa. Entremeio às, inacreditáveis e impossíveis brumas de luz, foi aparecendo muitos animais de variadas espécies de todas os biomas do globo terrestre. Girafas, coelhos, pássaros, ursos, como também cachorros, marsupiais, peixes abissais, répteis etc etc etc etc
Uma alegria imensa invadiu meu corpo astral, pois o de carne estava adormecido, confortavelmente, em minha cama ( não esqueçam que, relato um sonho). 
Este corpo astral ou imaginário ou projetado ou sei lá o quê, como eu disse, foi invadido por uma alegria imensa em poder ver muitos animais reunidos, mas algo me deixava melancólica, não uma simples melancolia, mas uma dor de tristeza profunda, tão profunda que atingiu meu cérebro e corpo mesmo após o despertar. No entanto, o sonho continuou.
Um rebanho de bovinos vinha vagarosamente, em silêncio, de cabeça baixa, estafados. 
A beleza inicial provocada pela quantidade de animais em um mesmo lugar foi se transformando em uma escuridão avermelhada de horror. 
Ursos negros extravasavam dor e bílis. Cobras esmagadas, abelhas caindo e desaparecendo, pássaros silenciosos, leões sem juba nem dignidade, gatos esfacelados, cães de olhos úmidos e humildes andavam em silêncio sem fixar em nenhum humano presente para não despertar a dor da culpa.
Animais em pedaços, aniquilados, esfomeados, torturados. Elefantes atormentados e macacos apáticos. Ratinhos brancos dopados, aves depenadas e um desfile inominável de animais sofridos e vilipendiados.
Mas, os bovinos não paravam de chegar, não paravam.
Diante da dor que sentia naquele instante e que ainda reflete dentro de mim, eu urrei feito um animal desesperado. Senti as dores de cada um deles e prostrei desalentada, decepcionada, vencida.
Luta inglória, luta inútil, luta derrotada. 
Acordei e não aceitei ter acordado. Queria sonhar e ver que aquilo era apenas uma mentira. Tentei sorrir e quis dizer em voz alta - isso não existe! - mas o nó na garganta travou as cordas vocais. Tentei levantar a cabeça e sentir a coroa de dono do mundo, mas ela já não estava mais lá.
Solucei. Engoli. Prometi amor e fidelidade, mas não prometi vitória. 
Em estupor, calei - me. Olhei para o lado e vi muitos sonhadores de olhos arregalados na tentativa de deter o holocausto, e em seus rostos, senti a dor, a desesperança e a continuação no embate honroso de uma luta infinda e vencida como a tentativa vã de preservar gelo no deserto.
Talvez, em algum lugar, os mártires de um mundo desconhecido de minhas razões sejam recompensados, mas parodiando Vinicius, pergunto - Escute, Amigo. Se foi pra desfazer, por que é que fez?
fotografia de Emma Powell

sábado, 5 de novembro de 2016

Pessoas INTENSAS em ajudar?

O problema ao pedir ajuda é se deparar com pessoas "intensas" em ajudar. Pessoas que, imediatamente,  querem mudar sua vida, seus padrões e te doutrinar para ser exatamente como elas.
Com tanto empenho e intensidade na ajuda, elas parecem querer  te empurrar para um canto de sua alma e ocupar o centro de sua vida.
O que mais desejam é mostrar o quanto você está sendo pequena e incompetente e o quanto elas são mais "santas" que você.
Ajuda e tortura. Com uma mão elas te alimentam, com a outra, te desnutrem.
O calvário do carecente, recebedor da ajuda intensa, é tão grande quanto a necessidade de assistência.
Nesta condição, o preço a ser pago ao benfeitor parece alto demais. 


segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Deitada nos campos de morango.

SOMENTE PARA QUEM VIAJOU NOS ANOS 70.

Nothing is real 


Deitei. Fechei os olhos. 
Uma voz suave, mas cortante me chamou.
Abri os olhos.
Um rapaz loiro, com um raio vermelho desenhado no rosto e que eu não via desde 1972, estava em cima de mim. Ele disse:
- There's a starman waiting in the sky.
- Não vamos deixa - lo esperando. Respondi.
Coloquei um vestido curto de piquê com desenho de uma margarida, lenço amarelo na cabeça, tranças no cabelo, óculos grande no rosto e minha bota branca. 
- Ready to go. 
The Starman sorriu, navegamos nas estrelas e ele revelou - me um segredo.
- Let your children lose it.
O raio vermelho de seu olho brilhou e psicodelicamente se transformou no meu mais amado modo de transporte da juventude, the yelow submarine.
- Vamos viajar? Perguntei.
- A Magical Mistery Tour.
Embarcamos no Yellowsub, como eu e minha amiga adolescente o chamávamos.
- Quero ver George. - Pedi.
- First, the King must bless us.
Uma alegria imensa penetrou meu coração quando the yellow submarine navegou nas águas do Tennessee e aportou em Memphis, no jardim da terra cheia de Graça.
E lá estava ele. 
The king. 
Nenhuma palavra foi dita. Fizemos reverência e ele tocou minha alma pedindo para ama - lo com ternura.
Respondi em pensamento - I bless the day I found You.
Fiquei ali uma eternidade.
Mas, the magical mistery tour devia continuar. 
Olhei para o Rei e implorei. - So never leave me lonely. Ele sorriu e me fez lembrar das noites que passamos juntos em meu quarto de adolescente quando ele vinha, pelo rádio, me saudar nas madrugadas solitárias do início de minha vida.
Prosseguimos. 
The bluebird veio nos levar, em suas asas, até os portões de Strawberry fields. 
Um jovem cabeludo, com óculos redondos, usando um chapéu preto passou sorrindo. Meu coração ficou apertado, ia me desequilibrando ao recordar de New York, foi aí que ouvi sua voz cantando. 
All we need is love. 

A sensação de paz e amor voltaram ao meu espírito. 
Descansei nos campos de morangos.
Fechei os olhos e entrei num cinema. Na tela passava algum filme antigo, preto e branco, não sei qual era, mas era muito romântico. Olhei ao meu lado e lá estava o meu mais querido de todos. 
Eu disse - I wanna hold your hand.
Durante séculos, ficamos, lado a lado, tocando cítara e recitando mantras, enquanto a sua guitarra chorava suavemente .
It's wonderful to be here, it's certainly a thrill.
Mas, ouvi sua voz dizendo - Sunrise doesn't last all morning - lágrimas vieram aos meus olhos e seu sorriso me contou - A cloudburst doesn't last all day 
Era chegada a hora de voltar.

Voltei. 

Passei pelo diário desbotado dos meus catorze anos e preenchi mais uma página.





segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Escrava sexual

LEIA COM BOM HUMOR, POR FAVOR!

Escolhi meu passado: simbolo sexual.
A sexualidade me escravizou, mesmo sendo, eu, uma mulher sem muitos arroubos sexuais.
Acostumei - me tanto a ficar nua, que controlo o ímpeto de deixar a roupa deslizar para o chão quando estou na mira de uma câmera.
Gostei de minha vida. Gostei e desfrutei.
Não lamento o que escolhi fazer, ou mesmo, aquilo que, nem sei se escolhi, mas que aconteceu no passado.
Minha imagem é sexo. Eu não sou. Sou uma mulher satisfeita, já tive transas memoráveis e outras, digamos, bem frustrantes.
Por que estou escrevendo sobre como foi e, ainda é, viver de uma imagem sensual?
Porque, às vezes, enche. Sabe aquela gota que falta, a veia que salta....
Estou quase resvalando para o clichê " hei, eu não sou apenas um corpitcho"! Outrora fenomenal, agora... dá pro gasto e para olhar no espelho. Se bem que, minha alta auto estima enxerga maravilhas em mim. Adoro meu corpo com algumas sobrinhas aqui e ali, um peito maior que o outro. Dois peitos grandes que me pesam na coluna, mas continuam lisos, brancos e com auréolas rosadas (Atentem, que já estou quase me exibindo, quase deixando "deslizar a roupa...")  - Resultado do vício de viver, meio sem querer querendo, de uma imagem sensual. -
Penso que:
- se eu soube viver tão bem a imagem de deusa sensual, por que não vivi a vida verdadeira de uma ótima atriz que sou? Simples. Não consegui me libertar da escravidão.
Virei escrava sexual de minha imagem sexualizada.
Na Record, não me aceitam, por causa de minha imagem. Idem no SBT. A Globo nem se lembra que existo para me excluir de suas novelas por causa da minha imagem sensual ou não.
Bem, na Globo, em geral, o autor e diretor decidem o elenco. Então, I am fucked. Totally fucked.
Não conheço nenhum diretor!!!!! Oh, my godness!!! I'm lost, YES, I'm lost.
Autor, conheço alguns da velha guarda.
A ex esposa de um grande autor, BRB, era amiga minha, uma mulher que eu admirava, mas, quando ela soube de uma conversa tosca, bem burrinha e simplória que tive, na frente de sua filha, que hoje é autora consagrada, ela ficou muito chateada comigo. Falou na frente do marido e de um poderoso diretor Global, que eu jamais seria bem vinda às novelas do marido. Dito e feito e aceito. Será que eu teria feito o mesmo que ela fez? Não, não teria, ou teria? Ou não? Ou teria? Sei lá.
O Aguinaldo Silva não me conhece e nem pode me amar, exatamente porque não me conhece, se conhecesse, iria me amar. mas ele nem quer me conhecer e, de quebra, ele detesta a pornochanchada e já disse, no twitter, que somos musas de punheteiros. Acha, caro leitor (a) que ele vai se dignar a olhar para esse tipo de musa? Só se ele tivesse batido uma pra mim, naquela época. Não bateu.
O Walcyr, que gosta de mim e admira meu trabalho na defesa animal, também não vai me chamar. Já, com a Glória Perez, eu falhei. Falhei mesmo. Ela tem toda razão em não me chamar de volta e eu tenho razão em sentir vergonha diante dela.
Com esses detalhes, nem tão sórdidos, e, assumindo minhas responsabilidades pelos meus atos, e falando mais do que devia, ( atriz inteligente se cala diante de globais que podem dar emprego) eu concluo que, jamais, voltarei às amadas novelas da Globo.
Se você, prezado leitor ou leitora, quiser me apoiar, não fale mal da Globo, por favor! Confesso, sem pudor, afinal, despudor é coisa de simbolo sexual, que eu a-do-ra-ri.a ganhar meu pão lá, no projac, porque o tamanho do pão de lá..ai ai... Dá até orgasmo só em pensar... Vou manter esperanças, manter o foco e continuar com minha vida de gostosona without Globo.
Você pode até argumentar e dizer: Nicole, não se humilhe diante da Globo!!! Eu me humilho diante da Globo, SIM! Faria mais, eu até daria o .... (Eita, escravidão sexual,!!!!)
Então, querer ir fazer novela na Globo, soa como uma escrava dos 1700 querendo ser Sinházinha. Não tem como!
Se bem que... pensando bem... Chica da Silva reinou em meado do século XVIII... Ainda me resta esperança;
Força e Foco, neo escrava sexual.

Amigos, tudo é uma brincadeira! Não me levem a mal.
For God's sake, my friends, don't screw (fuck) me more than I'm already screwed

Ops.
FALHA MINHA!!!
Eu estou no conglomerado Globo.
No CANAL BRASIL, toda QUARTA FEIRA, MEIA NOITE, apresentando um dos programas mais vistos do canal. O Pornolândia (olha o nome, vai veno si pódi)

Oh, Yeah, I'm not so fucked.



quinta-feira, 6 de outubro de 2016

SEMPRE É NOITE NOS CONTOS TRISTES DE TERROR.

Sempre é noite nos contos tristes de terror.
Não é dia no abismo ao qual fomos lançados, impiedosamente. Nunca é dia quando imploramos por socorro. É noite. Sempre noite. E escura.
O final da vida chegava rapidamente, mas ela já não vivia. Sua mente tinha se esgotado e desistido da lucidez, abandonando - a ao sabor de ligeiras recordações, navegantes solitárias, no escuro lago chamado Alzheimer.
Num piscar de olhos acordava e no outro já não estava mais ali. Observava o nada, o infinito e eterno nada.
No lusco fusco de suas lembranças surgiam imagens de sorrisos, batom vermelho e sexo prazeroso. E, num relance, via - se deitada,  o nariz impregnado do cheiro acre de remédios e velha, muito velha, bem mais velha que sua avó.
- Estou viva?
Na janela, a luz esbranquiçada do sol anunciava uma linda manhã. - Uma vontade louca de ir à praia e se juntar aos amigos. Levantava com dificuldade e a praia já não estava mais lá. Tudo escurecia. Escuridão mórbida e avassaladora. A luz se apagara em plena manhã ensolarada.
E, no outro dia ou outra semana, acordava, novamente.
- Mãe, tive um pesadelo. Eu não era mais eu. Não tinha mais minha patota. Eu estava só e triste.
Uma voz suave e falsa, respondia.
- Sou a enfermeira, querida. Não sou sua mãezinha.
Ela olhava aquela mulher vestida de branco e percebia que estava, tristemente, sozinha.
E, enquanto mergulhava, mais uma vez, no oceano escuro de sua mente, lembrou a frase de uma canção, ouvida e repetida muitas e muitas vezes.
- Help, I need somebody.
Escureceu.

  

terça-feira, 30 de agosto de 2016

quem não tem olhos, mata. Lucem Ferre


Qual a razão para se dizer feliz?
Em que tipo de mundo vivemos para a consciência dormir tranquila?
Somos parte de uma tribo esquizofrênica. Muitos se arrogam primogênitos de Deus, com sentimentos superiores ao do próprio Pai, donos da razão, do poder e da possessão da foice que ceifa vidas. Dividem territórios, dissipam famílias, corrompem crianças, jogam pais de família pela janela alta do desespero. Como dormir com choros de crianças nos frágeis barcos naufragando nas noites escuras dos mares europeus? Quantos braços enlaçarão a dor das mulheres despetaladas? E, minha cama confortável e indiferente aguarda meu descanso. Deito e demoro a dormir, ando em círculos mentais até de madrugada e a fome cresce, o arrasamento de florestas, a extinção das espécies... Tudo crescendo.
Eu levanto e tomo meu café quente com dores inexplicáveis de vergonha.
Dos píncaros de Nova York até o ínfimo buraco de uma favela, sempre tem a figura sinistra de um destruidor de sorriso; uma sombra nefasta da morte.
Quem tem olhos, vê. Quem não tem olhos, mata.
Não tentem me acordar para a Fé. Ela esta guardada em um cofre de tesouros ou quinquilharias dentro de mim, em algum lugar. Não se turbe vosso coração com a minha pouca fé. Não se incomodem com minhas dúvidas. Pratique, por um pouco, não ser tão importante quanto o primogênito divino, já que você não é e nem eu sou.
Almoço, aflita, com dor num músculo cheio de sangue que, outrora, significava residência do amor, mas, neste momento do tempo, vive apertado, lacerado diante de uma guerra inútil e incoerente entre residentes de um pontinho desprezível no Universo.
Será que, simplesmente, não era para sermos mais felizes? E se, inexoravelmente, a humanidade continua sua caminhada em direção à morte, não seria melhor amar? Conseguiríamos? Não. Nunca.
Não é provável que sejamos à imagem e semelhança do Criador. De fato, não é possível que sejamos. 
Podemos ser Seus netos, filhos de Seu filho, aquele que Isaías chamava de "estrela da manhã" ou Lucem Ferre ou Heilel ben-shachar. Ah, filhos dele, podemos ser. É bem provável que sejamos. Lucem Ferre, ele sim, deve ser o pai verdadeiro da maioria dos humanos. 
        

Lucem Ferre ou Heilel Ben - Schachar o Estrela da Manhã.

segunda-feira, 27 de junho de 2016

QUEM NÃO SE ENTRISTECE?

Tantos motivos para se entristecer...
Desde os mais comezinhos até os trágicos.
A tristeza pura e sem motivos da depressão profunda.
Melancolia, apatia, saudades, dores morais, dores físicas.
Por tudo isso, se entristecem, os humanos.
Tantos motivos...
Uma música adoece os sentimentos e jorram lágrimas.
A conscientização de um erro irreparável.
A dificuldade em mudar um hábito.
A vontade intensa que não se realiza.
O inútil olhar para trás, o balançar desanimado da cabeça, a aceitação inevitável.
Tantos motivos...
O olhar de cão abandonado. O olhar de seu cão velhinho.
O destino dos animais...

Todos entristecem. O mundo é triste. Sempre foi.
Muitos foram tristes. Marylin, Hayworth, Virginia Wolf, Sartre, Nietzsche, Casimiro de Abreu...

E por sermos tristes, buscamos a alegria.


segunda-feira, 20 de junho de 2016

Quando o medo vem...


O medo vem quando nós estamos no escuro e o que era objeto na claridade, começa a ter vida.
Quantas noites, na casa de tábuas em que morei no Paraná, via a cadeira do quarto crescer e assumir formas humanas, a lamparina encima do caibro emitindo uma luz, de cheiro queimado de querosene, lambendo a parede e desenhando cenas grotescas de monstros, ao estilo de Fuseli, e, quando sentia a solidão da noite, povoada de gritos de animais, criquilar de grilos desesperados, o coro soturno de coaxar de sapos e incontáveis sons noturnos abissais, eu colocava a mão na cabeça e soltava um gemido baixo e angustioso, talvez Edvard Munch tenha retratado esse desespero bem antes de meu nascimento.
Nessa tormenta noturna, eu conseguia apenas emitir uma palavra, quase um sopro:
Mãe. 
Como um passe de mágica, ela aparecia na porta de meu quarto e, as vezes, dormia ali mesmo, em outras, me levava para sua cama ou então rezava uma Ave Maria que eu só ouvia até "bendita sois, vós, entre as mulheres..."
E, assim alvorecia no Paraná.
Cheiro de café, de chá mate, de pão fresco... Eu levantava... bença pai, bença mãe.
Deus te abençoe. 
Eu tinha os dois a meu favor, ao meu lado. Eles me olhavam e era tudo muito bom, muito misturado com o café quente e cheiroso que eu não podia tomar. "Ataca o estômago da menina". A menina era eu. Por isso, o chá. Ela me cuidava. Eu a amava. Eu amava ele, mas, ela, ela era... ela era ela. Minha. Minha, tão minha.  Minha mão segurava a dela e eu sentia seu calor. 

Fui muito feliz ao seu lado. Continuo trazendo essa felicidade em meu coração.
Hoje, nas noites insones, em que as criações de Fusili ou Munch vêm me espreitar, eu as recebo com bom ânimo. Não tenho medo...
Ela me ensinou a tranquilidade da resiliência.


terça-feira, 3 de maio de 2016

BAIXE MEU LIVRO EM PDF GRATUITAMENTE "A BOCA DE SÃO PAULO"


Fui explorada durante, quase toda, minha carreira como simbolo sexual.
Lancei meu livro online e vendeu muito bem. Fui procurada por uma editora, que decidiu lançar o livro impresso. A editora, após minha revisão e ok, manipulou meu livro, editou como bem quis, provocando erros imperdoáveis e, jamais apresentou nota fiscal. No entanto, o que mais me magoou foi o fato de ter excluído a bibliografia onde eu coletei minhas pesquisas e exaltei o trabalho de muitos profissionais da era da Pornochanchada.
ENTÃO, sabendo muito bem, que livros no Brasil, não rendem dinheiro e, graças a Deus e ao meu esforço pessoal, tenho uma vida simples, mas tranquila, decidi disponibilizar, gratuitamente, o que, escrevi.
PEÇO ATENÇÃO: não há correção ortográfica. Você vai encontrar erros, sim. Se não gostar ou se você for professor de Português ou apenas um chato, corrija - os para mim.
SE quiser comentar, seja seguidor do blog.
Aí está o meu livro. Se é bom ou se é ruim, não me importa, o que importa é a realidade e emoção daquilo que vivi.

Clique com o botão direito no Link e escolha abrir Link em uma nova guia
https://files.acrobat.com/a/preview/2e761d4d-1fab-44f6-9ecd-3148914ec8de




sexta-feira, 1 de abril de 2016

Esperança e Desesperança.


Às vezes, fico tão sem esperança que gostaria de ir contra tudo aquilo que acredito.
SOFRO POR ESPERAR E SOFRO POR DESESPERAR.

NA ESPERANÇA 
Eu acredito numa vida menos cruel e sem sofrimento dos animais.





NA DESESPERANÇA.
Chego a idealizar um mundo sem nenhum animal para cantar, encantar e nem se transformar em alimentos. 
Um mundo morto, com tudo morto, menos o homem e seus descendentes que não mais irão torturar, explorar, comer, testar, desmatar. 
Nada mais para destruir, a não ser ao próprio homem e seus filhos.


NA ESPERANÇA 
Nós, "os loucos", Aqueles que esperam e esperam e, dificilmente alcançam seus sonhos de Paz, desejamos um futuro perfeito aos filhos dos homens e mulheres do Planeta Terra.



NA DESESPERANÇA
Não desejamos isso, mas tememos que muitos homens lutem e herdem o seco e cruel fruto de seu desamor pelos seus herdeiros, pelos animais e pelo seu berço na Terra.

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Mais um mini conto de Terror. - FOME

Fome.



Acordou.
Ela estava com fome, muita fome mesmo.
Quando foi a última vez que comera? Ontem, antes de ontem, mês passado, não se lembrava.
Virou de lado, como se a mudança de posição fosse amenizar o vazio do estômago.
Não aguentava mais!!!! Quase berrou. Fechou os olhos, levou as mãos ao rosto e chorou. Chorou de raiva, chorou de pena, chorou de fome.
Mal tinha forças para se levantar, mas levantou. Alçou voo, subiu de forma debilitante. Aguardou, aguardou. Estava parada no ar, aguardando.
De repente, o barulho!
Finalmente iria matar sua fome.
Lá vinha o majestoso roncando alto.
Foi em direção ao majestoso voador e atacou seus olhos. Comeu. Faíscas elétricas explodiam para todos os lados e isso aumentava seu apetite. Limpou sua boca e fez algo que jamais fizera antes enquanto se refestelava. Olhou para as janelinhas enfileiradas e dentro delas viu rostos de seres estranhos, pequenos monstros que pareciam em pânico, e de repente, foi avistada por um daqueles do lado de dentro das janelinhas. Os olhares se cruzaram, se fixaram. Ela sentiu medo! Que tipo de ser poderia habitar atrás daquelas janelinhas? Percebia o pavor daqueles seres, mas percebia também a incrível capacidade de ódio incrustrada no íntimo de todos eles. Eram monstrinhos destrutivos, nojentos.
- Melhor não se deixar levar por energias negativas. – Pensou, entristecida.
Roeu tudo que pode e só abandonou aquele estranho monstro metálico de janelinhas enfileiradas quando o mesmo voou em direção ao solo, soltando fumaça preta.
Dormiria mais um pouco até sentir fome novamente e, então, sairia para procurar o majestoso metálico barulhento com janelinhas enfileiradas. 
Agradeceu ao seu deus pela refeição farta e voltou para a caverna escura onde habitava e dormia.

Teve pesadelos com os monstrinhos apavorados e perigosos por detrás das janelinhas enfileiradas.