sábado, 3 de março de 2012

Bundas

- Dói?
- Não.
- Mas, dá pra tomar injeção?
- Agora só no braço.
- Se der injeção aí, explode?
- Não pode tomar injeção e pronto.
A menina olhou a bunda da irmã mais velha, apertou e apertou.
- Pára, garota.
A menina olhou suas Barbies, pegou uma, arrancou a roupa dela e apertou a estiolada bundinha da boneca.
Pensou em si mesma no futuro.
Teve um ataque de pânico. Gritou e... - (como é bom quando se é criança e tem a mãe pra correr e acudir a gente em pânico). A mãe veio apressada.
- Que foi, menina?
- Eu não quero, eu não quero.
- O que você não quer, filha?
- Eu não quero, não quero.
A mãe abraçou a menina, que enroscou os braços em seu pescoço e chorou em seu ombro.
(Recordo o cheiro de minha mãe e sinto sua mão em minha face enxugando minhas lágrimas)
A menina adormeceu no colo da mãe. Teve pesadelos com a bunda da Barbie. Uma bunda gigante, descomunal e muitas, muitas mulheres ajoelhadas e rezando para tocar naquela Bunda.