quarta-feira, 13 de junho de 2012

OS MACACOS, OS JOGADORES DE FUTEBOL E A EX - ESCRAVA.

Já fui chamada de branquela azeda, loraburra, macarrão de hospital, lombriga, entre outras qualificações que, considero racista. Todas essas alcunhas ocorreram desde minha infância porque sou muito branca. 
Hoje não me atingem, mas fizeram seus estragos em minha frágil personalidade do passado.
Como explicar que minha bisavó, por parte de pai, era negra, ex-escrava que fugiu com um português branquelo de olho azul claríssimo.  
Por parte de minha mãe era uma italianada da Calábria e Sicília.

Jamais vi a cor da pele, nem poderia ser de outra forma, como diferenciador de seres humanos. A mãe véia, minha bisavó ex-escrava, era uma docilidade de pessoa. Não a conheci, mas minha mãe falava tão bem dela (e, olha, para uma calabresa falar tão bem dos parentes do marido a mãe véia devia ser quase um anjo). 

Fui criada com respeito a todas as raças. 
Muitos japoneses vieram para o Paraná e minha mãe acabou aprendendo japonês para puxar uma prosa com as "poverino tão longe de casa".  
O problema da parte italiana era com espanhóis, portugueses e germânicos, parece que as as raças europeias não se entendiam desde priscas eras.
Se bem que, minha mãe falava, falava, mas como morava num sítio e adorava conversar, ela passava por cima de problemas europeus quando tinha novos vizinhos vindos de qualquer lugar do mundo e fazia amizade - Afinal, estamos todos no Brasil e aqui somos todos iguais - ela dizia e ia visitar as donas Carmens, Marias, Fridas e Keikos. Levava bolinhos e trazia bolinhos. O importante era ter com quem conversar que, segundo ela, La bocca si apre nella lingua parlano. Meu pai não entendia nada, mas aceitava, tinha que aceitar, dona Tereza não dava outra opção pra ele.

Mas, o senhor Orlando recebia qualquer tipo de pessoa pra pousar no quarto de visitas. Pousar significava pra ele tanto passar apenas uma noite ou como dizia minha mãe, fazendo que reclamava: Uma notte, un giorno, 4 settimana e 12 mesi, ecco! 
Era só reclamação, pois ela não desobedecia o marido, desde que ele estivesse certo, é claro. 
Muitos foram os estrangeiros, brasileiros do sul, nordestinos, nortistas, bugres (esses preferiam ficar no terreirão e acender fogueira), que eu via passar pela minha casa, jantar na nossa mesa, que cresci achando todos iguais. E minha mãe parlano e dando suas gargalhadas sonoras. Era uma festa!

Cresci achando que tudo era uma festa, que todos gostavam dos outros como meus pais gostavam.

Claro que essa ilusão durou pouco. Eu cresci e vi que meus pais eram gente boa e humana. O mundo não era como eles.

Vejo muita gente racista chamando jogadores negros de macacos, como se fosse uma ofensa. 
E, vejo jogadores negros sentindo - se ofendidos por isso.
Pra falar a verdade, o Macaco é superior a qualquer ser humano, seja branco ou negro.
Sou uma macaca albina.
A Mãe véia adorava macacos e todos os animais e, também os seres humanos, gostava até mesmo dos homi marvado que divia di acertar as contas com Deus Santo.
Mãe Véia ensinou a meu pai que os bichin sentiam dor tamém i era tudu criação do Divino Pai Santo Criador.

Ver um negro brilhando com seu talento atiça o lado minúsculo de algumas personalidades doentias de um punhado de homens brancos menos valorosos que uma negra ignorante das letras e ex - escrava que viveu nesse mundão de Meu Deus!