segunda-feira, 23 de julho de 2012

A PAULISTA DO PARANÁ.

Ela era do Paraná, mas seu coração virou paulista, nem percebeu. São Paulo foi entrando devagar e foi concretizando o amor.
O humor era feito o clima de Sampa, de manhã ela chovia, a tarde esquentava e a noite nunca se sabia se vinha tempestade ou suavidade. Também podia ser ao contrário.
Apesar de altos e baixos, ela, em geral, mantinha suas atitudes num plano mais alto, feito a avenida Paulista. Mas, eram só as atitudes externas, por dentro era uma efervescência, onde se misturava um desejo de vida e morte. 
Do Paraná, restou a saudade da simplicidade dos pais, e, essa tal simplicidade insistia em permanecer em seu olhar. Qualquer um mais avisado poderia perceber a delicadeza e candura nas raízes mais profundas, feito as florzinhas de Onze Horas que grassava no jardim de sua infância. 
Ela era considerada bipolar, outros a tachavam de franca e verdadeira, muitos se aproximavam em busca de uma opinião sincera enquanto outros não suportavam serem vistos do alto de seu planalto, em meio às intempéries, carregando no olhar as florezinhas simples das Onze Horas. 

Se ela era feliz?
Às vezes sim, às vezes não, exatamente igual aos outros seres humanos. 
Mas, São Paulo era muito grande, muito.