quarta-feira, 31 de outubro de 2012

SAUDADES DE BEM ANTES DO MEU PASSADO

Sinto uma saudade inexplicável de alguma coisa que não consigo recordar.
Será isso a tal melancolia?

Mas, não estou triste, apenas sinto saudades.

Talvez, possa ser saudades de mim mesma quando criança. 
Saudades de bem antes do meu passado.
Quando criança eu não tinha passado, o futuro não me preocupava e o presente era todo meu tesouro.
Levantava cedo, olhava o sol, a mata paranaense do nosso sítio e corria para o jardim cercado de folhagens e recheado de rosas brancas, vermelhas, amarelas, rosas rosas, rosas grandes, rosas miudinhas, bem  - me - quer, beijo - branco,  crista - de - galo, as nervuras do angico branco, lírios amarelos de montão, o estranho lírio - tocha, o rabo - de - gato.... Deus do céu, uma imensidade de flores e folhagens e tinha a rosa louca, uma planta maluca de vários tons de rosa........

Se a saudade tivesse outro nome deveria chamar - se Jardim da Infância. Não o Jardim tipo escola, mas o jardim jardim mesmo, com flores, folhas, bem-te-vis, colibri e chuva. Chuva fininha ou de pingos grosso e o cheiro de mata molhada. O cachorro fedido e molhado também faz parte com seu sorriso escancarado enquanto corre de forma safada na chuva. O vento no cabelo, a água fria e refrescante murmurando na biquinha.  Os pés descalços, fincados na terra vermelha e o velho monjolo que só serve para fazer barulho, ninguém mais usa. O paiol, o cheiro do paiol. O "Loro" que grita tolamente, a algazarra das maritacas e o Urubu lá longe rondando alguma carniça. "Urubu é bicho "bão", limpa a terra das imundices"....

Isso tudo antes do café com cheiro de café com o leite da "Princesa" ou da maluca da "Bitinha". 
O relincho da "Ruzia" solta na porta da frente. "Tem que cuidar pra ela não ir até o Pomar." O Pomar de laranjas, mexericas  ponkans e tangerinas que, afinal parecia ser a mesma coisa: uma delícia. O melão, melancia, abacate, jabuticaba, amora, goiaba, pitanga e as trombetas-de-anjo, que era uma flor, mas teimava em ficar no pomar.....
Era hora de ir catar verdura para o almoço: Mostarda, taioba, serralha, almeirão... Chega, ninguém vai comer tudo isso! Vai sim. Depois do almoço nem sobra nada, tem que catar, de novo, para o jantar....

O sol da tarde, a preguiça gostosa estirada num saco de estopa no terreirão de café "Sai daí, menina, vai pegar insolação",  o pão assado quentinho do forno redondo que fica no quintal....
E, aí vinham as estrelas. Nossa, quantas!!!!!
A cortina dos meus olhos baixavam e eu só desejava acordar para ver a estrela matinal e começar tudo de novo. 

E, hoje, eu estou aqui.... Nem alegre, nem feliz.

E DEU VONTADE DE PARODIAR VINÍCIUS DE MORAES:
"  AÍ, PERGUNTO A DEUS: 
ESCUTA, AMIGO, SE FOI PRA DESFAZER, POR QUE É QUE FEZ?"