quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Trecho do meu livro "A BOCA DE SÃO PAULO".




A PRIMEIRA VEZ DE UMA ADOLESCENTE.

A
primeira vez que andei na Boca não foi exatamente na Rua do Triumpho, mas na Rua Dino Bueno, Bom Retiro, em 1975, a convite da DaCar produções, para estrelar o filme, Possuídas Pelo Pecado.
Aceitei este filme por insistência de algumas pessoas e do David Cardoso, dono da DaCar. Fui apresentada a ele na padaria da TV Tupi. Eu participava, de vez em quando, de programas humorísticos da emissora. Ainda era menor, mas o David desconhecia o fato.
Eu havia conseguido um documento, com data anterior ao meu aniversario, na Praça da Sé, em São Paulo. Fato impressionante, mas corriqueiro, em plena ditadura. Bastava ir à Praça da Sé, procurar um “homem – placa”, onde estava escrito “tiramos documentos”, e ele te acompanhava até uma sala típica do centro. Escura e sem janela. Pronto. Por uma quantia irrisória, forneciam um papel, com o nome que quisesse e filiação idem, para ir a um cartório e providenciar seu novo registro. Simples assim. Estava – se de posse de um documento legítimo: um registro de nascimento oficial. Na verdade, era a segunda vez que eu aprontava uma dessa. A primeira foi por pura baderna, com uma amiga, aos treze anos, para irmos a shows. Como não gostei do nome que me dei no primeiro documento, resolvi mudar e fiz esse outro. Com a certidão de nascimento novinha em folha, tirei atestado de antecedente criminal e identidade na delegacia, carteira de trabalho na Martins Fontes e assinei o contrato com a Dacar produções cinematográficas. Quando completei 18 anos, passei a usar, em definitivo, meus documentos originais.
O David, que só ficou sabendo alguns anos depois, não me perdoa até hoje por ter feito isso com ele, diz que se soubesse minha idade, não teria me contratado. Ele era muito correto. Eu, meio inconsequente e maluca, mas quem não é quando se é adolescente?
Depois dessa primeira vez, a coisa pegou. Foi um filme atrás do outro. Por mais que tentasse sair desse meio, algo me atraía. Por esse ou aquele motivo, não conseguia parar de filmar. Eram convites incessantes. Recusei muito mais filmes do que fiz.  ....

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