sábado, 23 de março de 2013

nicole puzzi: CACHORROS PRETOS NÃO SÃO ADOTÁVEIS.

nicole puzzi: CACHORROS PRETOS NÃO SÃO ADOTÁVEIS.: É curioso, mas é real. POUCOS ADOTAM CACHORROS PRETOS. Enquanto cachorros brancos e dourados são os mais requisitados, os pretinhos são de...

CACHORROS PRETOS NÃO SÃO ADOTÁVEIS.

É curioso, mas é real.
POUCOS ADOTAM CACHORROS PRETOS.
Enquanto cachorros brancos e dourados são os mais requisitados, os pretinhos são desprezados e ficam a margem da adoção.
POR QUÊ?
Não sei.
Só sei que é assim.
Perguntem a qualquer protetor de animais e eles irão confirmar essa surpreendente  e racista realidade.
RACISMO CONTRA ANIMAIS? É POSSÍVEL?
Racismo contra animal é realidade!
O gato preto é uma grande vítima. E, o cachorro preto também o é.
Lá no Abrigo da Dolores em Ribeirão Pires presenciei cachorros pretos que foram abandonados ainda filhotes e acabaram morrendo velhinhos sem quem os adotasse.
Poucos fazem opção pelo cachorro preto.
Por que?
Será ranço de preconceitos escondidos na intimidade de ex-escravagistas?
Superstição estúpida?
Eu não sei.
Acho que muitos humanos ainda não estão preparados para as diferenças raciais e transferem isso ao  bichinho de estimação.
Por que a cor preta é carregada de tanto estigma?
Algumas pessoas preferem achar que não é assim, que não tem nada a ver, que o fato de cães da cor preta não serem adotados é apenas coincidência.
Continuem tapando o sol com a peneira, como dizia meu pai.
Mas, o fato é que é assim, sim:
Cachorro preto é o último a sair de um abrigo, o último a ser adotado, isto quando é adotado.

ADOTEM OLHANDO NOS OLHOS DO CÃO, NÃO NA COR DOS PELOS.

AMEM AS PESSOAS PELA ALMA E NÃO PELA COR DA PELE.

AFINAL

QUAL A COR DE DEUS? QUEM SABE RESPONDER?




ESSA É A VITÓRIA, UMA CADELA COM DEFICIÊNCIA MENTAL, PROTEGIDA E AMADA PELA MINHA AMIGA DOLORES, QUE POSSUI UM ABRIGO.
VITÓRIA CHEGOU FILHOTE, MAS NUNCA FOI ADOTADA!

segunda-feira, 18 de março de 2013

A BAIXA AUTO ESTIMA E A MINHA ESTREIA.

Eu estava nervosa!!!!
IA VOLTAR AOS PALCOS! Meu Deus! Que pânico!!!

No pequeno camarim, ouvindo o burburinho dos convidados, eu me apavorava! 
"Sou muito atrevida!" Repetia, ora em pensamentos, ora em voz baixa - "o que estou pensando? Quem sou eu para escrever um monólogo? Atrevida! Hoje é seu dia de morte!"
Olhei pelo buraquinho da pequena cortina e vi que não estava lotado. Tinha bastante gente, mas muito longe daquele número de pessoas confirmadas. 
Numa mesa, vi Clery Cunha, o Índio e Marinho, meus queridos da pornochanchada, quase chorei. Deu vontade de correr para a Rua do Triumpho, sentar na mesa do Bar Soberano e ficar lá, segura, tranquila, tomando um guaraná e comendo o indefectível ovo cor de rosa. Chamei o Khoury em pensamento. "Socorro" - sussurrei.
Noutra mesa a Noelle Pine, e ao lado a Cleia Carvalho me remetiam ainda mais aos anos 70.
De relance, reconheci meus mais queridos amigos, Ricardo Peixoto e a grande atriz Imara Reis. O que era para ser um alívio me trouxe lágrimas, que contive, pois esquecera meus óculos e a maquiagem tinha sido feita, de emergência, pela diretora Dominique Brand. Como pude esquecer meus óculos????
Estava tudo dando certo, mas minha auto-estima resolveu virar minha inimiga. O "Adversário" interno sorriu e apareceu deixando - me frágil, em comportamento totalmente reativo. 

Entrei em curto circuito e apaguei minha benevolência e compreensão comigo mesma.
Fui arrastada mentalmente aos bullyings que sofri na infância quando ganhei um concurso na rádio de Umuarama e fui zoada na escola, ao tapa na cara que levei de um garoto que tirou 9 em matemática e eu, surpreendentemente, tirei 10. Voltou à minha memória o dia em que uma menina disse que se eu fizesse a peça da escola ela iria cortar meu rosto. Recordei minhas dificuldades de fala, meu gaguejar, a falta de coordenação motora, as surras inesperadas na saída do colégio, o péssimo rendimento nos esportes. Nem lembrei de minha irmã Dirce, mãe da belíssima Fabiana Saba, que me defendia com unhas e dentes, impedindo muitas outras surras e desforrando as que eu tinha levado. - Você não se defende!
Veio à minha mente o diagnóstico tardio feito pelo psiquiatra em Roma de que eu teria tido deficit de atenção com hipo-atividade na infância. O tal TDA-PD, sendo PD - predominante desatento.
Eu cedi à pressão do "adversário" interno e quase desisti. 
VAI COMEÇAR.
Entrei no pequeno palco e nos dois passos que dei em direção à platéia lembrei que amava ser atriz, que havia me esforçado muito para estar ali vivendo aquele momento! Olhei para a cabine de Luz e vi Dominique. Iniciei o espetáculo, fiz o melhor que pude. Não, não fiz o que sei fazer, mas fiz o melhor que deu para fazer naquele estado mental. Num determinado momento mexi com alguém do público, faz parte do stand up. Percebi que o conhecia, puxei pela memória e vi seu nome em minha mente - Xico Sá! 
TO FERRADA! Olha com quem fui brincar???
Mais uma vez sucumbi à burrice da baixa auto-estima.
É o Xico Sá e eu sou apenas uma atriz de pornochanchada. Olhei o Clery e o vi sorrindo. Senti - me mais forte. Consegui ir até o fim de uma forma decente, mas não com todo meu potencial. 
CONFESSO O QUE PASSEI.
Sei que estou sendo dramática, mas sempre fui dramática, exagerada como o Cazuza e romântica feito o Roberto. 
Nos bastidores, chorei de raiva. Lembrei minha irmãzinha naquela época distante: Tinha!(meu apelido de infância) Você precisa aprender a se defender!!!
Reagi
- Eu fiz o espetáculo completo! Eu respeitei meu público. Estava em pânico, mas fiz um bom espetáculo.   
E fui cumprimentar as pessoas.

Droga! todo artista tem direito de ficar nervoso na estreia! O Paulo Autran ficava e eu que não sou nem 1 por cento do Paulo, também fiquei.

Sai e sorri satisfeita. 
Quem gostou, gostou, quem não gostou, não gostou.
Nunca vou agradar todo mundo! Va fancullo!
Mas, ainda doía não ter dado tudo de mim no palco, doía a raiva de ter dado espaço ao "adversário".
A vida continua e quinta feira que vem, eu volto, com ou sem público, mas com segurança suficiente para decepar a falta de amor por mim mesma que, sorrateiramente tentou penetrar em minha mente naquela estreia onde me superei como ser humano. 
Eu escrevi e atuo em "EU SÓ ESTAVA AMANDO EM 70". Pode não ser grande coisa para os outros, mas é muito, muito importante para mim. 
Uma última observação: Recebi tanto apoio de todos os lados que nem sei... Eu acho que tem muita gente torcendo por mim...Gente que gosta da "Tinha", da Nicole e da atriz Nicole Puzzi 
Puxa! a menininha, que só não apanhou mais na escola por causa da irmã, é uma mulher satisfeitíssima com o amor que recebe de todos.


Obrigada a todos! Obrigada pelo apoio. 





sábado, 16 de março de 2013

DE HIMMLER À CRUELDADE COM ANIMAIS

AMOR A TODOS OS SEMELHANTES, mas será que todos somos semelhantes? 

Vi uns cães em situação de sofrimento devido à crueldade dos seres humanos.
Não entendo.
Nunca irei conseguir entender.
Por que a necessidade de maltratar seres vivos?
Por que essa monstruosidade persiste internalizada, com raízes profundas dentro de alguns seres animalescos que se disfarçam de seres humanos.

Depois que passei a lidar com a causa animal, minha mente foi atropelada pela insensatez e crueldade que jamais eu poderia imaginar existir dentro de uma simples pessoa.
Faz - me recordar tudo que li sobre sobre Himmler, (Reichsführer-SS 1929-1945). 
Ele era um homem comum, de aparência comum, nada em seu aspecto remetia ao monstro sinistro acólito de Hitler. 
Talvez, possa parecer incoerente comparar quem destroça um cão ou gato ou qualquer outro animal, com o assassino mais sombrio e temido do século passado.
Mas, na minha ótica, não há incoerência.
Justificando:
Quem, covardemente, agride um animal indefeso com pontapés, quebra - lhe a coluna, quebra sua mandíbula, põe fogo no animal vivo e o estupra - sim, há muitos, muitos estupros de animais, e, em geral são machos de porte pequeno a médio e a morte dolorosa é inevitável. - e nem sente remorso é comparável sim, com a aberração humana chamada Heinrich Himmler. 
Possivelmente, se o comandante dos “Einsatzgruppen”, um homem jovem que morreu com apenas 45 anos, de estatura mediana e aparência inofensiva, não tivesse sido alçado a posição de destaque e importância como líder do NSDAP, iria extravasar sua crueldade covarde encima de seres inofensivos e desprotegidos como um cão ou gato.
E, certamente, se esses cruéis assassinos e mutiladores de animais fossem alçados a um posto de poder sem limites, eles iriam mutilar, aniquilar e assassinar milhares de seres humanos com os quais não simpatizassem, incluindo mulheres idosas e crianças, tal como o Monstro de aparência inofensiva chamado Himmler.

Desculpem as imagens abaixo, mas é necessário mostrar a realidade do que monstros cruéis podem fazer.

QUEM MATA CRUELMENTE UM SER INOFENSIVO NÃO ESCOLHE RAÇA PARA MATAR, ESCOLHE SERES VIVOS QUE NÃO PODEM SE DEFENDER.

HIMMLER TAMBÉM FOI CRIANÇA





domingo, 10 de março de 2013

Eu e Paulo Autran


Fiz apenas uma peça com Paulo Autran, mas foi A PEÇA - Tartufo de Moliére.
Isso foi em 1985 no Teatro Maria della Costa.
Recém saída do cinema nacional, em minha segunda peça na carreira.
Só havia feito "O Terceiro Beijo" do estreante Walcyr Carrasco, sob direção do queridíssimo Jacques Lagoa.
Eu era um pouco tensa em meu dia a dia, muitos compromissos, tantas coisas, enfim... Mas, era bastante tranquila ao inciar qualquer trabalho. Jamais ficava ansiosa, nervosa, não criava expectativa. Se ia filmar, ok, na boa. Se ia gravar uma novela, tudo bem também. E, na peça anterior "O Terceiro Beijo" fui a tranquilidade em pessoa no dia da estreia e olha que aconteceu tudo que não deveria acontecer.
Não me preocupava o fato de entrar em cena.

Mas, encantada por realizar um sonho quase impossível, trabalhar ao lado de Paulo Autran, muita coisa mudou.
Amei o Paulo a primeira vista; isso parecia normal a todos que o viam pela primeira vez.
Durante os ensaios, eu fazia chá de jasmim e levava para nós dois bebermos em seu camarim. Às vezes, trazia junto bolinhos de chuva feitos pela minha mãe. Ele amava os bolinhos. 
Era algo mágico, especial demais. Um privilégio!
Quando se aproximava a estreia eu via o Paulo muito concentrado, meio calado, mas sempre gentil e fino. Um Lord!
No dia da estreia, o teatro abarrotado, aquele corre corre na coxia e o Paulo la no camarim dele. Eu, tranquila, aguardava o terceiro sinal.
No segundo sinal, fomos todos para nossa posição.
Olhei as mãos do Mestre Autran, elas tremiam. Fiquei curiosa, mas ele estava tão concentrado e a cortina já ia abrir.
Quando inciou o espetáculo, nenhuma surpresa, lá estava o grande ator, a incrível performance de um mestre e sua mão não tremia mais. Magnífico!
Nos quatro dias seguintes - na época uma peça ficava em cartaz de quarta a domingo - notei aquelas mesmas mãos do meu ídolo maior tremendo antes do espetáculo e firmes durante o mesmo.
Na outra semana, comentei com um amigo de Autran sobre essa curiosidade.
Ele respondeu:
- Foi sempre assim! Nervosismo de estreia.
- Mas, ele é o PAULO AUTRAN!
O amigo respondeu:
- Exatamente por isso.
Inclinei minha cabeça, refleti. Entendi!
Bateu algo em meu peito. Nasceu a necessidade de amar o público e passei a amar. Nasceu o amor, o desejo de acariciar a platéia, de respeita - la e fazer o máximo dentro de minha limitações. Ser honesta com as pessoas que saíram de casa para me assistir no escuro do teatro. Doar e doar.
Desde então, fico ansiosa e com muita, muita responsabilidade antes de uma estreia.
Se as mãos do Paulo Autran tremiam... enfim...
Saudades dele.
Aprendi durante aqueles meses de Tartufo, mais do que qualquer curso de teatro.

Quanta falta!!!