segunda-feira, 18 de março de 2013

A BAIXA AUTO ESTIMA E A MINHA ESTREIA.

Eu estava nervosa!!!!
IA VOLTAR AOS PALCOS! Meu Deus! Que pânico!!!

No pequeno camarim, ouvindo o burburinho dos convidados, eu me apavorava! 
"Sou muito atrevida!" Repetia, ora em pensamentos, ora em voz baixa - "o que estou pensando? Quem sou eu para escrever um monólogo? Atrevida! Hoje é seu dia de morte!"
Olhei pelo buraquinho da pequena cortina e vi que não estava lotado. Tinha bastante gente, mas muito longe daquele número de pessoas confirmadas. 
Numa mesa, vi Clery Cunha, o Índio e Marinho, meus queridos da pornochanchada, quase chorei. Deu vontade de correr para a Rua do Triumpho, sentar na mesa do Bar Soberano e ficar lá, segura, tranquila, tomando um guaraná e comendo o indefectível ovo cor de rosa. Chamei o Khoury em pensamento. "Socorro" - sussurrei.
Noutra mesa a Noelle Pine, e ao lado a Cleia Carvalho me remetiam ainda mais aos anos 70.
De relance, reconheci meus mais queridos amigos, Ricardo Peixoto e a grande atriz Imara Reis. O que era para ser um alívio me trouxe lágrimas, que contive, pois esquecera meus óculos e a maquiagem tinha sido feita, de emergência, pela diretora Dominique Brand. Como pude esquecer meus óculos????
Estava tudo dando certo, mas minha auto-estima resolveu virar minha inimiga. O "Adversário" interno sorriu e apareceu deixando - me frágil, em comportamento totalmente reativo. 

Entrei em curto circuito e apaguei minha benevolência e compreensão comigo mesma.
Fui arrastada mentalmente aos bullyings que sofri na infância quando ganhei um concurso na rádio de Umuarama e fui zoada na escola, ao tapa na cara que levei de um garoto que tirou 9 em matemática e eu, surpreendentemente, tirei 10. Voltou à minha memória o dia em que uma menina disse que se eu fizesse a peça da escola ela iria cortar meu rosto. Recordei minhas dificuldades de fala, meu gaguejar, a falta de coordenação motora, as surras inesperadas na saída do colégio, o péssimo rendimento nos esportes. Nem lembrei de minha irmã Dirce, mãe da belíssima Fabiana Saba, que me defendia com unhas e dentes, impedindo muitas outras surras e desforrando as que eu tinha levado. - Você não se defende!
Veio à minha mente o diagnóstico tardio feito pelo psiquiatra em Roma de que eu teria tido deficit de atenção com hipo-atividade na infância. O tal TDA-PD, sendo PD - predominante desatento.
Eu cedi à pressão do "adversário" interno e quase desisti. 
VAI COMEÇAR.
Entrei no pequeno palco e nos dois passos que dei em direção à platéia lembrei que amava ser atriz, que havia me esforçado muito para estar ali vivendo aquele momento! Olhei para a cabine de Luz e vi Dominique. Iniciei o espetáculo, fiz o melhor que pude. Não, não fiz o que sei fazer, mas fiz o melhor que deu para fazer naquele estado mental. Num determinado momento mexi com alguém do público, faz parte do stand up. Percebi que o conhecia, puxei pela memória e vi seu nome em minha mente - Xico Sá! 
TO FERRADA! Olha com quem fui brincar???
Mais uma vez sucumbi à burrice da baixa auto-estima.
É o Xico Sá e eu sou apenas uma atriz de pornochanchada. Olhei o Clery e o vi sorrindo. Senti - me mais forte. Consegui ir até o fim de uma forma decente, mas não com todo meu potencial. 
CONFESSO O QUE PASSEI.
Sei que estou sendo dramática, mas sempre fui dramática, exagerada como o Cazuza e romântica feito o Roberto. 
Nos bastidores, chorei de raiva. Lembrei minha irmãzinha naquela época distante: Tinha!(meu apelido de infância) Você precisa aprender a se defender!!!
Reagi
- Eu fiz o espetáculo completo! Eu respeitei meu público. Estava em pânico, mas fiz um bom espetáculo.   
E fui cumprimentar as pessoas.

Droga! todo artista tem direito de ficar nervoso na estreia! O Paulo Autran ficava e eu que não sou nem 1 por cento do Paulo, também fiquei.

Sai e sorri satisfeita. 
Quem gostou, gostou, quem não gostou, não gostou.
Nunca vou agradar todo mundo! Va fancullo!
Mas, ainda doía não ter dado tudo de mim no palco, doía a raiva de ter dado espaço ao "adversário".
A vida continua e quinta feira que vem, eu volto, com ou sem público, mas com segurança suficiente para decepar a falta de amor por mim mesma que, sorrateiramente tentou penetrar em minha mente naquela estreia onde me superei como ser humano. 
Eu escrevi e atuo em "EU SÓ ESTAVA AMANDO EM 70". Pode não ser grande coisa para os outros, mas é muito, muito importante para mim. 
Uma última observação: Recebi tanto apoio de todos os lados que nem sei... Eu acho que tem muita gente torcendo por mim...Gente que gosta da "Tinha", da Nicole e da atriz Nicole Puzzi 
Puxa! a menininha, que só não apanhou mais na escola por causa da irmã, é uma mulher satisfeitíssima com o amor que recebe de todos.


Obrigada a todos! Obrigada pelo apoio.