quinta-feira, 25 de abril de 2013

WALKING DEAD'S RIVER

O que fazer com rios mortos?
Olhar e mais nada?
Só isso? 

Olhar as Marginais paulistanas horrorosas, cerceando a liberdade de dois rios, quase falecidos. Tristeza ou revolta? 
As curvas e contornos do "rio de asfalto" serpenteia em torno dos dois cadáveres vivos feito cobras medonhas e assustadoras criadas pela nefasta mão que mata a beleza e enterra esperança por um bocado de dinheiro no bolso é triste, muito triste e amedrontador.

Lá vai o rio, quer dizer, la não vai mais o rio, vai a sujeira, a indignidade, o desrespeito, a corrupção tão nojenta e lamacenta feito seu leito. 

Vim para o "avesso do avesso do avesso" em 1970 e desde essa longínqua data ouço rumores, bravatas, falatórios, isso e aquilo sobre o walking dead's river e nada acontece. Nada acontece. NADA! Só a vazão do dinheiro dos contribuintes que esperam e esperam e esperam ver o dia em que garças, jacarés do papo amarelo, Cedros, Pau- marfins e uma infinidade de vida retornem àquelas margens e correntezas.

Milhões arrastados de projetos em franca correnteza para bolsos administrativos. Corrupção ou incompetência? Ou as duas coisas juntas? No entanto, com ou sem resposta a essa questão, o cheiro de crueldade e desprezo pela Natureza permanece no ar, como se a Natureza não fosse relevante para a vida humana, como se os filhos dos filhos que "se danassem" com o próprio futuro.

Quem são os criminosos que transmitiram a doença a esse moribundo aquoso putrefato que caminha vagarosamente na tentativa calada, morosa e desesperada de alimento?

Assassinos não são apenas aqueles que portam uma arma, mas aqueles que portam canetas, dizia meu velho pai.

Quem mata a vida, mata mesmo a vida. 

 Sorry walking dead's river, mas você está fadado a caminhar errante por longos anos de cruel indiferença humana. 
Quero ter esperança!