quinta-feira, 22 de agosto de 2013

FÁBIO JUNIOR E EU


Conheci Fábio na passagem dos anos 80 para os 90. 

Eu estava batalhando pela construção de um centro de assistência gratuito a crianças carentes com síndrome de down (Centro de Convívio e Habilitação para Excepcionais Maria José). Hoje o local está funcionando em Parelheiros, mas eu me afastei há alguns anos. 
Enfim... 
Procurava por cantores que estivessem dispostos a fazer show com o objetivo de arrecadar fundos.
Liguei para o empresário de Fábio Jr, pois se o famoso cantor topasse, iríamos realizar a compra dos equipamentos necessários com tranquilidade. 
O empresário chamou - me ao escritório para conversarmos. 

Quando entrei lá, dei de cara com um dos homens mais bonitos que havia visto em minha vida até então.
Parei, respirei, pensei em meus objetivos e conduzi a conversa da melhor maneira possível, mas aquele sorriso...Meu Deus. O que me ajudou naquele momento é que me lembrei que nunca me apaixonara por nenhum homem bonito além, obviamente, do Elvis Presley. E, que sempre fui atraída por homens diferentes, alguns mais cheinhos,  outros mais "pretinhos", também podia ser branco, sempre fui democrática neste quesito, mas não gostava de homem bonito, não me sentia atraída nem ficava excitada com homens lindos, com exceção, obviamente, do Elvis, que quando engordou um pouquinho me deixou mais atraída ainda.

O sorriso daquele príncipe me atraía terrivelmente, mas inexplicavelmente me amedrontava. 
Fui embora meio tonta, cabeça avoada, rindo de mim mesma e aliviada por imaginar que ele jamais iria pensar em mim. 
Ficaria no aguardo de uma ligação do empresário para confirmar ou não o show do cantor. 
"Gente, eu nem curto as músicas dele" - pensei antes de me recusar a lembrar daquele sorriso feiticeiro.
Deitei e dormi feito um anjo, até...

Quatro horas da manhã, toca o telefone. 
Atendo 
- Nicole -  diz a voz do outro lado da linha -  Fiz uma música pensando em você. 
Fiquei muda. Não, não era trote, era ele mesmo. 
E, ele cantou. E eu me encantei. 
Não lembro a música (que raiva!) nem sei se ele gravou ou não, mas sei que era bem linda, mesmo se não era, mas era linda, eu tenho certeza que era.

Dia seguinte, ele passou em casa para sairmos. 
Minha empregada teve um treco quando o viu: gritou, desmaiou, se debateu, fez xixi na calça e, confesso, que nunca vi uma pessoa soltar tanta caca pelo nariz (eca). 
Minha mãe italiana e caipira que não gostava de fazer desfeita às visitas falou:
"Descurpa" seu Fábio, mas essa menina é uma tonta. Deus dá a oportunidade dela ver o senhor e ela me faz essa "estupideza". Devia aproveitar pra ver a beleza do senhor e me desmaia feito uma "stronza". 

O belo cantor não sabia se ria de minha mãe ou se acudia a "stronza". Tirei ele de casa rapidinho.

Eu precisava ir até uma amiga, Dona Terezinha, que passava a maior parte de seus dias em Uberaba na casa do Chico Xavier, desde que Rosemary, sua filha, havia desencarnado. Falei à ele quem ela era e disse que ele poderia ficar no carro. Sei lá, a casa da Terezinha vivia cheia de gente querendo que ela arrumasse um encontro com o Chico e, vai que tivesse alguma "stronza" ali também.
Ele insistiu em entrar. Achei de uma simplicidade a atitude dele, afinal a casa da Terezinha era bem modesta.
Ele entrou e como tinha um monte de senhorinhas lá dentro, que ocupava todo o pequeno sofá, ele sentou no chão, sempre sorridente e com uma naturalidade impressionante. 
Entreguei o que tinha de entregar a minha amiga e disse a ele que Terezinha também fazia parte do Centro de Convívio para excepcionais. Ele sacou um talão de cheques e preencheu duas folhas, enquanto eu me despedia do monte de senhorinhas simpáticas e amigas, mas mantinha um olho virado para ele. 
Fábio, discretamente, passou os dois cheques para Terezinha. Um era para as obras dela, o outro cheque era para o Centro de Convívio. Pelo semblante de Terezinha, percebi que os cheques eram polpudos, ela, com o jeitinho aprendido na convivência com o Chico, insistiu em recusar, mas o olhar imperativo e feiticeiro do príncipe não deu margem à recusa. 
Quanta delicadeza e generosidade numa pessoa. 
Eu não havia pedido nada, nenhuma doação, nada, nada e, Terezinha menos ainda.

Um dia, Terezinha me disse:
- Nunca pensei que Fábio Jr fosse um poço de candura e generosidade. Naquele dia em que vocês estiveram em casa, lembra? Eu não sabia como comprar alimentos para meus assistidos. O dinheiro havia acabado e estávamos reunidas pensando no que fazer. Eu já tinha até chorado e estávamos em preces quando você chegou com ele. 

Eu não sabia dessa dificuldade de Terezinha com os seus assistidos.
E ela complementou com amor e gratidão:
- Fiz oração por ele lá no Chico


Após o belo gesto de Fábio na casa de dona Terezinha, onde Fábio, sem saber fez parte, segundo minha bondosa amiga, dos desígnios divinos ao lhe passar o cheque e, assim, proporcionar alimentos e melhores condições aos seus "necessitados" por quase um ano, eu e ele fomos ao encontro de seus amigos numa pizzaria famosa ali no fim da Rua Augusta.
Obviamente, ele foi o centro das atenções. Muitos amigos, amigas... Moças que quase choraram ao me ver de mãos dadas com ele. Outras, que se insinuavam, atrevidamente e sem a mínima classe. Porém, tinha muita gente boa e conhecida, também. 
Foi agradável. Eu estava acostumada com o ciúmes de mulheres frustradas e não me sentia  nem dona e nem namorada de Fábio, já que nem era mesmo. 

No dia seguinte, eu teria de viajar com uma peça e o voo estava marcado para às 7 da manhã, então deveria estar no aeroporto às 5 horas. Despedi - me de Fábio, enfrente à minha casa, em Interlagos na época, exatamente à 1 hora da manhã, sem sequer te - lo visto sem roupas ou nem mesmo ter feito nada além de presenciar sua generosidade com Terezinha e dividir a pizza. 
Não, não fizemos amor. 
Fábio pode ter fama de garanhão, mas ele é muito gentil, delicado e sim, meninas, muuuiiito romântico.

Viajei por dois meses pelo nordeste e Fábio retornou à sua vida normal. Não havia celulares, por isso, era quase impossível a comunicação; mas minha mãe contou pelo telefone que havia chegado flores do Fábio Jr, no dia em que eu embarquei. LINDO DEMAIS.

Quando retornei ao final da  turnê de dois meses, minha irmã, alegremente, me contou sobre um encontro inusitado com o cantor na ponte - aérea e que ele falara muito bem de mim e de meu trabalho no projeto da construção do Centro de Convívio.

Fiquei sem ver o Fábio por mais ou menos 5 anos, até que, por coincidência, nos encontramos num mesmo hotel em Recife. Foi uma alegria só. Fui, junto com a Marcela Ráfea, uma amiga atriz, assistir o show dele. LOTADAÇO.

Ao final do show, fomos ao camarim. Muitos fãs aguardavam Fábio, mas, por ordem dele, fui a primeira a entrar. Depois de falarmos sobre amenidades, ele me chamou a um canto e me perguntou:
- Nicole, você acha que eu estou muito estrela?
Estranhei a pergunta. 
- Como assim, Fábio? Estrela você é. O que você quer dizer?
- Nicole, é tanto assédio, tantas facilidades, sucesso etc. que, às vezes, acho que não estou sendo fiel a mim mesmo. Parece que perco a noção entre o Fábio que sou e o Fábio que as pessoas veem. 

Achei de uma sinceridade tocante a preocupação dele. 
É difícil para uma celebridade como ele ter essa noção e, principalmente a simplicidade e honestidade de querer saber se não está passando os limites da naturalidade.

Fábio, que conheci, é peculiar, simples, bondoso e uma pessoa que segue seus instintos.

Mas....   

PARA A FELICIDADE DE MUITAS FÃS E DECEPÇÃO DE MUITOS FOFOQUEIROS.

EU E FÁBIO NUNCA NAMORAMOS, NUNCA TRANSAMOS E NOSSA RELAÇÃO FOI APENAS ESTA QUE DESCREVI.
SE ALGUÉM FALAR ALGO A MAIS, ESTARÁ MENTINDO.


Em tempo:

Fábio, o Centro de Convívio e Habilitação Para Excepcionais Maria José, para o qual você fez a doação, está funcionando e atendendo muitas crianças carentes.

 Em nome de todo o pessoal: OBRIGADUUUUU!!