sábado, 10 de agosto de 2013

Porre com o Mussum

Saímos de São Paulo para excursionar pelo Sul do Brasil. De carro. Eu, Dedé, Mussum e Zacarias.


Fazíamos show numa cidade e de madrugada viajávamos para outra, cada vez avançando mais em direção ao fim do Brasil. 
Nesta fase, os shows eram marcados em ginásios das cidades, sempre lotados. 
Como a Maricleusa não viajava mais conosco, eu fazia parceria com o Dedé no palco logo no início do espetáculo e depois voltava numa esquete com o Dedé e Mussum.
Quando nossa viagem chegou ao estado do Rio Grande do Sul, o frio estava insuportável. 
Fizemos apresentação em Porto Alegre e descemos um pouco mais, em direção à Bagé. 
Um frio de matar e não havia aquecimento nos carros de nosso país atrasado pela ditadura em sua agonia final.
O Mussum quis parar numa vinícola, onde já era conhecido.
Uma alegria geral por parte dos donos, funcionários e um monte de gente que correu para ver Os Trapalhões. 
Impressionante como amavam o Mussum. As pessoas adoravam todos os três, mas o Mussum era algo mágico, diferente e incrivelmente carismático.

Uma coisa costumeira que os 3 faziam, em todos os restaurantes onde paravam, era ir até a cozinha cumprimentar os empregados. 
Não se tirava fotos com a facilidade de hoje, mas a alegria estampada no rosto humilde dos fãs valia mais do que registrar um momento no tempo em uma câmera. 
Era de uma humildade ver três astros tão queridos se curvarem às brincadeiras dos fãs, assinarem cadernos, papéis meio sujos, guardanapos, camisetas...
Esse gesto de atenção e carinho para com os fãs era tocante. Um costume que o Dedé conserva até hoje e que, tenho certeza, que se o Mussa e o Mauro estivessem vivos, iriam conservar também.
Eles amavam o que faziam e amavam serem amados e, creio que por isso eles retribuíam o amor recebido.
Nunca foram estrelas, longe disso. A humildade era característica dos meus três amigos. 

Saímos da vinícola carregados de garrafas. 
E, paramos, várias outras vezes, em outras vinícolas pela estrada.
O frio apertava e eu me achando o máximo: havia bebido, às escondidas, quase uma garrafa de vinho e não estava bêbada. 
Quase comemorei.
Chegamos encima da hora para o show no lotado ginásio da cidade e fomos direto para o palco. O ginásio era aberto e o vento predizendo a geada invadia todos os cantos. E eu, fora de cena, bebia mais e me achava o Mussum de saias: posso beber e nada acontece.
Terminou o show, eles cumprimentaram todo mundo, abraçaram cada um que quis abraça - los e, com o estômago roncando, fomos finalmente para o restaurante.
Entrei. O restaurante era aquecido. Choque térmico. Desmaiei.
Na volta, no dia seguinte, percebi que eu NUNCA poderia ser o Mussum de saias. 
Amarguei uma ressaca e ainda levei bronca dos três e fui zoada durante todo o caminho de volta. Ainda lembro as sonoras gargalhadas do Mussa.
Mas, não aprendi a lição, teve um outro porre. 
Depois eu conto.