terça-feira, 17 de novembro de 2015

Mais um mini conto de Terror. - FOME

Fome.



Acordou.
Ela estava com fome, muita fome mesmo.
Quando foi a última vez que comera? Ontem, antes de ontem, mês passado, não se lembrava.
Virou de lado, como se a mudança de posição fosse amenizar o vazio do estômago.
Não aguentava mais!!!! Quase berrou. Fechou os olhos, levou as mãos ao rosto e chorou. Chorou de raiva, chorou de pena, chorou de fome.
Mal tinha forças para se levantar, mas levantou. Alçou voo, subiu de forma debilitante. Aguardou, aguardou. Estava parada no ar, aguardando.
De repente, o barulho!
Finalmente iria matar sua fome.
Lá vinha o majestoso roncando alto.
Foi em direção ao majestoso voador e atacou seus olhos. Comeu. Faíscas elétricas explodiam para todos os lados e isso aumentava seu apetite. Limpou sua boca e fez algo que jamais fizera antes enquanto se refestelava. Olhou para as janelinhas enfileiradas e dentro delas viu rostos de seres estranhos, pequenos monstros que pareciam em pânico, e de repente, foi avistada por um daqueles do lado de dentro das janelinhas. Os olhares se cruzaram, se fixaram. Ela sentiu medo! Que tipo de ser poderia habitar atrás daquelas janelinhas? Percebia o pavor daqueles seres, mas percebia também a incrível capacidade de ódio incrustrada no íntimo de todos eles. Eram monstrinhos destrutivos, nojentos.
- Melhor não se deixar levar por energias negativas. – Pensou, entristecida.
Roeu tudo que pode e só abandonou aquele estranho monstro metálico de janelinhas enfileiradas quando o mesmo voou em direção ao solo, soltando fumaça preta.
Dormiria mais um pouco até sentir fome novamente e, então, sairia para procurar o majestoso metálico barulhento com janelinhas enfileiradas. 
Agradeceu ao seu deus pela refeição farta e voltou para a caverna escura onde habitava e dormia.

Teve pesadelos com os monstrinhos apavorados e perigosos por detrás das janelinhas enfileiradas.


quinta-feira, 12 de novembro de 2015

MINI CONTO DE TERROR

Gosto de escrever terror. Para mim, é relaxante.

Tenho o prazer de ser amigo do grande mestre do Terror no Brasil, Rubens Francisco Lucchetti. Apesar desse merecido título, R.F. Lucchetti é o ser humano mais sensível, tranquilo e equilibrado que já conheci. 




CONTO NUMERO 1 

 Casamento.


Cincoenta anos depois dessa foto, John and Kate estão na cozinha de sua casa na minúscula cidade de Adeline, Illinois. 
Kate inicia o diálogo.
- John, pensei em viajar. O que você acha?
- Para onde?
- Não sei ainda, mas tem que ser para uma praia.
- Praia?
- Sim. Qual a surpresa?
- Eu não vou!
- Problema seu. Eu vou.
- Se eu não vou, você não vai.
- Escuta aqui. Passei minha vida toda dentro dessa casa, limpando, arrumando e fazendo todas as suas vontades. São 50 anos de casamento. E eu digo: quero ir à praia, então eu vou.
- Não vai, Kate. Acabou o assunto.
Ela ergueu a faca que havia acabado de cortar o peru de ação de graças e cortou o pescoço do velho.
- Assim é o final feliz de uma linda história de amor. – Pensou, enquanto destrinchava John para colocar os pedaços do corpo no freezer do porão.
- Minha artrite vai me fazer atrasar para a praia.
Levou dois dias na árdua tarefa de cortar cada pedaço do corpo de seu antigo namorado, agora um velho marido insuportável e mandão.
No terceiro dia, levantou bem disposta, carregou os pedaços embrulhados para o freezer. Limpou o chão ensanguentado. Usou cloro puro. Ficou nessa árdua tarefa o dia todo, só terminando a tarde. Estendeu o tapete que ela mesma vinha tecendo havia cerca de dois anos. Achou tudo muito limpo, muito bonito, sorriu satisfeita e foi tomar seu banho.
No dia seguinte, levantou cedinho e, cantando You've Got to Hide Your Love Away, dos Beatles, pegou sua malinha rosa, a passagem de avião para o Caribe e andou em direção à porta de saída. Abriu a porta, sentiu o sol em seu rosto. Sorriu.
Ao tentar cruzar o umbral de saída daquela maldita casa onde viveu feito escrava durante anos, a velha senhora, outrora uma moça linda e sonhadora, sentiu um toque gelado em sua perna.
Baixou o olhar e lá estava a mão do esposo morto e mais adiante na poltrona preferida do marido dava para ver a cabeça do velho de lábios distorcidos.
- Se eu não vou, você não vai, Kate.
A velha senhora escutou essa frase que durante anos a dominou e sugou toda sua juventude.
Aguardou por alguns segundos.

- Fuck you, son of a bitch!
Deu um chute naquela mão gelada e foi para o Caribe.

Naquela pequena cidade americana, ninguém nunca mais ouviu falar nela, a não ser anos depois quando encontraram os ossos da mão e da cabeça de Mr. Wilson na sala e o restante de seu corpo conservado no freezer.



quinta-feira, 28 de maio de 2015

Bispos, Marinhos (Record e Globo) e as TETAS DA PORNOCHANCHADA.


Esses dias, li em uma página do Facebook, em que um aluno reclama do professor ter pedido para entrevistar pessoas da Pornochanchada.
Ele escreve:
- Que coisa difícil. O pessoal da pornochanchada está morrendo! Quem não morreu, está muito velho.
 E, o pessoal da Globo que fez pornochanchada não fala sobre o assunto.

Com bom - humor, retruquei com esta foto da Les Chux para meu programa Pornolândia do Canal Brasil e escrevi:
- Foto desta semana. Agora, fala que eu to morta ou acabada?

Claro que foi uma brincadeira. Todos colocamos "rsrsrsrs".
No entanto, fiquei pensando sobre a cruel verdade.
Nós da Pornochanchada estamos morrendo sem receber nem respeito nem o valor que merecemos!

Existem diretores e autores de cinema e Televisão que confessam serem fãs, sabem toda nossa vida, compreendem a dificuldade da época, mas, e daí?
Tem muita gente da pornochanchada, incluindo atrizes, atores, produtores, diretores e técnicos sem o menor reconhecimento, sem nenhum trabalho digno na TV, ou melhor, sem nenhum trabalho na TV.
Quando vejo um ator ou atriz, resgatado do nimbo em que nos mergulharam, numa novela, é sempre um papelzinho de caridade, uma participação especial. Essa é uma maneira de convidar o ator ou atriz, fazer uma caridadezinha numa participação e não se queimar.
Queimar com quem????
O que fizemos de tão sórdido para recusarem, terminantemente, a nos exporem na TV?
Qual a diferença entre nós da pornochanchada e daqueles atores globais que fizeram pornochanchada, mas renegam o passado?
Não tenho resposta para isso.

Posso comentar que recebi e outros companheiros também receberam convites de diretores e produtores importantes para trabalhar na TV Record e Globo e, de repente, eles somem. Eu sei que é puro preconceito.
De quem?
Dos Marinhos da Globo? Duvido.
Do Bispo Macedo? Duvido.
Acho que eles não se preocupam com isso.
O problema é mais embaixo. Bem mais embaixo. É baixo, mesmo.
Poderia citar nomes de todos que fizeram isso comigo e com companheiros da pornochanchada, mas sou discreta, vivi em 70 e por isso odeio dedo duro.

Conheço autores que foram lançados por mim ou por alguma outra atriz/ator/diretor/produtor da pornochanchada e com isso iniciaram uma grande carreira de sucesso, mas que se recusam, terminantemente, a nos convidar, nem por caridade!
Diretores que iniciaram na carreira como assistente de direção e que nós os acolhemos com afeto e amizade e que também se recusam a trabalhar conosco. Nem olham pra nossa cara!

Eu sou uma pessoa de sorte. Sobrevivo sozinha ou amparada por mãos amigas de pessoas que nunca tinham me visto antes, como é o caso da May Medeiros e Roy Lui de Paul, que me convidaram para apresentar o programa Pornolândia (que é sucesso) e, assim, me ressuscitaram.
Aliás, ressuscitar é o meu tema. Vivo ressuscitando minha carreira.(Ouvi isso do Raphinha Bastos que falava sobre a sua carreira.  Coube em mim sua observação).

Eu sou uma pessoa tranquila, não tenho ressentimentos, acho-me responsável por tudo de bom ou ruim que acontece em minha vida. Mas, dói ver meus amigos morrendo sem o reconhecimento devido e, o pior, vendo - os serem imitados, copiados, roubados em filmes ou programas recentes de TV.

Acorda gente! Homenagem póstuma é uma merda!
Ressuscitem os mortos vivos da pornochanchada enquanto estão vivos!

E, eu vou continuar tendo orgulho de ter sido atriz de Pornochanchada e que tudo mais.... Vá pro Inferno.

Obs. Isso não é um pedido de emprego. Não preciso. Não estou passando fome. Isso é um maneira de esculachar a hipocrisia de quem mamou e ainda mama nas tetas da Pornochanchada e que nos admiram, mas são fracos demais para nos chamar para uma produção de teatro, cinema ou TV.



domingo, 10 de maio de 2015

AMARGURA e INVEJA e VIDA


A saudades de um tempo que não volta e o desespero de não poder prevalecer a vontade de mudar o passado, transforma muita gente em amargurado ou invejoso de uma juventude encerrada e trancafiada num baú encima de um armário, pavorosamente, alto.

Outros, não são tão estreitos emocionalmente e conseguem largar o que já não volta. Acrescentam o passado ao altar sagrado às suas almas, respeitam a alegria e cada lágrima que os transformaram em seres únicos e singulares. Esses são sábios, sensíveis, irreverentes e alegres, podem ser inteligentemente irônicos, maravilhosamente ácidos, mas jamais amargurados e nunca invejosos, não enxergam motivos para invejar.

Voltando aos primeiros, - os tristes e macambúzios - aos inconformados com a rolança do Tempo, como dizia Mário Lago. Eles antecipam o estágio purgatorial em seu viver e no viver alheio.
Travestem - se de críticos sem espírito, de agressivos covardes, irônicos emburrecidos e um monte de energia é desperdiçada, dispersa e inutilizada.Sofrem e suam em vão. Morrerão no Nada resmungável do fraco, imbuídos de inveja e arrogando - se juízes dos desejos alheios, julgadores implacáveis do pensamento livre, mas, especialmente maldizendo e abominando o sexo dos outros. São regradores dos atos sexuais "indecentes" segundo suas máximas detestáveis, enfim, reivindicam o mórbido posto de fiscal dos genitais e penetrações alheias.

Triste gente que viveu sem ter vivido. Morrem sem viver. Apodrecem em vida. Dejetos orgânicos a serem esquecidos imediatamente após o féretro.

Gonzaguinha mostrou o caminho: viver e não ter a vergonha de ser feliz. 
O que acrescentar a esse verso? 
... Cantar e cantar e cantar na beleza de ser um ETERNO aprendiz. 


http://www.usp.br/espacoaberto/arquivo/2007/espaco75jan/0perfil.htm

quinta-feira, 19 de março de 2015

Dom Quixote e Zaratustra

Não sou romântica, consequentemente não sou sentimental ou por não ser sentimental, não sou romântica.
Meu signo é Touro, mas não acredito em signos.
A Realidade mais clara e cruel, bem ao estilo Nietzsche, me satisfaz quase como uma refeição pesada, mas saborosa.
Meus olhos pequenos se apertam mais ainda quando vejo sonhadores errantes. - Dom Quixote é o único sonhador que me toca - um pouco -  a alma, pois ele era corajoso, mas temerário. Sonhou o impossível e acreditou mais na Quimera do que em seu oposto. No entanto, Dom Quixote nos diverte com suas buscas ensandecidas por um Rumo, um Motivo.
Ah, mas Zaratustra é mais apaixonante.
Zaratustra é língua de fogo devorando os insensatos.
São dois sonhos febris, o sonho de Quixote e o de Zaratustra. O primeiro me encanta, o segundo me toma pelos cabelos e beija minha boca, me conquista na marra. Eu queria ter sido Lou Salomé. Queria ver de perto o louco mais são que já andou por este planeta.


Detesto minhas filosofices.

quinta-feira, 12 de março de 2015

DE QUEM SÃO ESSAS TRAÇAS?

O que há de anormal nas traças? Nada. 
Elas nasceram com a função de roer e é isso o que elas fazem. 
Roem e roem. 
São pragas que só sabem roer, destruir, arrasar tudo o que veem pela frente.
Insaciáveis!
Eu já vi muitas traças. Traças demais. 
Quem não as viu?
Dizem que elas atacam escolas, hospitais, caixas de remédios, depósito de alimentos, teatros, museus, enfim... Onde tiver com que se locupletar elas se locupletam. 
Contam que elas vieram para cá na caravela de Cabral. Infestaram o país em pouco tempo. 
Continuam corroendo. Dá para ouvir o som, não delas, mas de suas vítimas. Do choro de suas vítimas.
Crianças choram quando são roídas pelas traças.
Doentes choram quando são roídos pelas traças.
Pai de família chora quando é roído pela traça.
Pequenos empresários também choram. Ouvi por aí que grandes empresários sabem lidar muito bem com as traças. Eles dão dinheiro para elas roerem.

Um povo chora por causa das traças. 
Todos tentam exterminar essa praga, mas o problema é que o povo forma torcida organizada contra as Traças, e, então essas torcidas querem ter o poder de decidir qual o melhor remédio para acabar com as traças, qual traça é a pior traça etc e inventam "nominhos" bonitinhos para definir seus adversários, como por exemplo: tracionária, Tratalha, traxinha e assim por diante, desta forma, com tanta criatividade e embates pífios nas redes sociais, todo mundo se diverte de tanto ódio e esquecem as traças roendo. 
E as Traças? As traças não ligam para ninguém, elas só pensam na barriga delas e continuam roendo roendo roendo. 

Quem é culpado pelas traças?
Eu não sei, mas estou para acreditar que em 1.500, na nave de Cabral, essas traças começaram a manipular o DNA dos futuros povoadores da Terra de Vera Cruz, acrescentando uma quinta base hidrogenada ao mesmo. Desta forma, os veracruzenses, além de adenina, citosina, guanina, timina em seus deoxyribonucleic acid  foram inoculados com a destruidora tracianina (desonestus sacaneadores dus bolsus alheius. Politicus corruptus, fdputis)

Simplificando: roer o próximo faz parte da origem de nosso antigos veracruzenses, atuais brasileiros.