segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Deitada nos campos de morango.

SOMENTE PARA QUEM VIAJOU NOS ANOS 70.

Nothing is real 


Deitei. Fechei os olhos. 
Uma voz suave, mas cortante me chamou.
Abri os olhos.
Um rapaz loiro, com um raio vermelho desenhado no rosto e que eu não via desde 1972, estava em cima de mim. Ele disse:
- There's a starman waiting in the sky.
- Não vamos deixa - lo esperando. Respondi.
Coloquei um vestido curto de piquê com desenho de uma margarida, lenço amarelo na cabeça, tranças no cabelo, óculos grande no rosto e minha bota branca. 
- Ready to go. 
The Starman sorriu, navegamos nas estrelas e ele revelou - me um segredo.
- Let your children lose it.
O raio vermelho de seu olho brilhou e psicodelicamente se transformou no meu mais amado modo de transporte da juventude, the yelow submarine.
- Vamos viajar? Perguntei.
- A Magical Mistery Tour.
Embarcamos no Yellowsub, como eu e minha amiga adolescente o chamávamos.
- Quero ver George. - Pedi.
- First, the King must bless us.
Uma alegria imensa penetrou meu coração quando the yellow submarine navegou nas águas do Tennessee e aportou em Memphis, no jardim da terra cheia de Graça.
E lá estava ele. 
The king. 
Nenhuma palavra foi dita. Fizemos reverência e ele tocou minha alma pedindo para ama - lo com ternura.
Respondi em pensamento - I bless the day I found You.
Fiquei ali uma eternidade.
Mas, the magical mistery tour devia continuar. 
Olhei para o Rei e implorei. - So never leave me lonely. Ele sorriu e me fez lembrar das noites que passamos juntos em meu quarto de adolescente quando ele vinha, pelo rádio, me saudar nas madrugadas solitárias do início de minha vida.
Prosseguimos. 
The bluebird veio nos levar, em suas asas, até os portões de Strawberry fields. 
Um jovem cabeludo, com óculos redondos, usando um chapéu preto passou sorrindo. Meu coração ficou apertado, ia me desequilibrando ao recordar de New York, foi aí que ouvi sua voz cantando. 
All we need is love. 

A sensação de paz e amor voltaram ao meu espírito. 
Descansei nos campos de morangos.
Fechei os olhos e entrei num cinema. Na tela passava algum filme antigo, preto e branco, não sei qual era, mas era muito romântico. Olhei ao meu lado e lá estava o meu mais querido de todos. 
Eu disse - I wanna hold your hand.
Durante séculos, ficamos, lado a lado, tocando cítara e recitando mantras, enquanto a sua guitarra chorava suavemente .
It's wonderful to be here, it's certainly a thrill.
Mas, ouvi sua voz dizendo - Sunrise doesn't last all morning - lágrimas vieram aos meus olhos e seu sorriso me contou - A cloudburst doesn't last all day 
Era chegada a hora de voltar.

Voltei. 

Passei pelo diário desbotado dos meus catorze anos e preenchi mais uma página.





segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Escrava sexual

LEIA COM BOM HUMOR, POR FAVOR!

Escolhi meu passado: simbolo sexual.
A sexualidade me escravizou, mesmo sendo, eu, uma mulher sem muitos arroubos sexuais.
Acostumei - me tanto a ficar nua, que controlo o ímpeto de deixar a roupa deslizar para o chão quando estou na mira de uma câmera.
Gostei de minha vida. Gostei e desfrutei.
Não lamento o que escolhi fazer, ou mesmo, aquilo que, nem sei se escolhi, mas que aconteceu no passado.
Minha imagem é sexo. Eu não sou. Sou uma mulher satisfeita, já tive transas memoráveis e outras, digamos, bem frustrantes.
Por que estou escrevendo sobre como foi e, ainda é, viver de uma imagem sensual?
Porque, às vezes, enche. Sabe aquela gota que falta, a veia que salta....
Estou quase resvalando para o clichê " hei, eu não sou apenas um corpitcho"! Outrora fenomenal, agora... dá pro gasto e para olhar no espelho. Se bem que, minha alta auto estima enxerga maravilhas em mim. Adoro meu corpo com algumas sobrinhas aqui e ali, um peito maior que o outro. Dois peitos grandes que me pesam na coluna, mas continuam lisos, brancos e com auréolas rosadas (Atentem, que já estou quase me exibindo, quase deixando "deslizar a roupa...")  - Resultado do vício de viver, meio sem querer querendo, de uma imagem sensual. -
Penso que:
- se eu soube viver tão bem a imagem de deusa sensual, por que não vivi a vida verdadeira de uma ótima atriz que sou? Simples. Não consegui me libertar da escravidão.
Virei escrava sexual de minha imagem sexualizada.
Na Record, não me aceitam, por causa de minha imagem. Idem no SBT. A Globo nem se lembra que existo para me excluir de suas novelas por causa da minha imagem sensual ou não.
Bem, na Globo, em geral, o autor e diretor decidem o elenco. Então, I am fucked. Totally fucked.
Não conheço nenhum diretor!!!!! Oh, my godness!!! I'm lost, YES, I'm lost.
Autor, conheço alguns da velha guarda.
A ex esposa de um grande autor, BRB, era amiga minha, uma mulher que eu admirava, mas, quando ela soube de uma conversa tosca, bem burrinha e simplória que tive, na frente de sua filha, que hoje é autora consagrada, ela ficou muito chateada comigo. Falou na frente do marido e de um poderoso diretor Global, que eu jamais seria bem vinda às novelas do marido. Dito e feito e aceito. Será que eu teria feito o mesmo que ela fez? Não, não teria, ou teria? Ou não? Ou teria? Sei lá.
O Aguinaldo Silva não me conhece e nem pode me amar, exatamente porque não me conhece, se conhecesse, iria me amar. mas ele nem quer me conhecer e, de quebra, ele detesta a pornochanchada e já disse, no twitter, que somos musas de punheteiros. Acha, caro leitor (a) que ele vai se dignar a olhar para esse tipo de musa? Só se ele tivesse batido uma pra mim, naquela época. Não bateu.
O Walcyr, que gosta de mim e admira meu trabalho na defesa animal, também não vai me chamar. Já, com a Glória Perez, eu falhei. Falhei mesmo. Ela tem toda razão em não me chamar de volta e eu tenho razão em sentir vergonha diante dela.
Com esses detalhes, nem tão sórdidos, e, assumindo minhas responsabilidades pelos meus atos, e falando mais do que devia, ( atriz inteligente se cala diante de globais que podem dar emprego) eu concluo que, jamais, voltarei às amadas novelas da Globo.
Se você, prezado leitor ou leitora, quiser me apoiar, não fale mal da Globo, por favor! Confesso, sem pudor, afinal, despudor é coisa de simbolo sexual, que eu a-do-ra-ri.a ganhar meu pão lá, no projac, porque o tamanho do pão de lá..ai ai... Dá até orgasmo só em pensar... Vou manter esperanças, manter o foco e continuar com minha vida de gostosona without Globo.
Você pode até argumentar e dizer: Nicole, não se humilhe diante da Globo!!! Eu me humilho diante da Globo, SIM! Faria mais, eu até daria o .... (Eita, escravidão sexual,!!!!)
Então, querer ir fazer novela na Globo, soa como uma escrava dos 1700 querendo ser Sinházinha. Não tem como!
Se bem que... pensando bem... Chica da Silva reinou em meado do século XVIII... Ainda me resta esperança;
Força e Foco, neo escrava sexual.

Amigos, tudo é uma brincadeira! Não me levem a mal.
For God's sake, my friends, don't screw (fuck) me more than I'm already screwed

Ops.
FALHA MINHA!!!
Eu estou no conglomerado Globo.
No CANAL BRASIL, toda QUARTA FEIRA, MEIA NOITE, apresentando um dos programas mais vistos do canal. O Pornolândia (olha o nome, vai veno si pódi)

Oh, Yeah, I'm not so fucked.



quinta-feira, 6 de outubro de 2016

SEMPRE É NOITE NOS CONTOS TRISTES DE TERROR.

Sempre é noite nos contos tristes de terror.
Não é dia no abismo ao qual fomos lançados, impiedosamente. Nunca é dia quando imploramos por socorro. É noite. Sempre noite. E escura.
O final da vida chegava rapidamente, mas ela já não vivia. Sua mente tinha se esgotado e desistido da lucidez, abandonando - a ao sabor de ligeiras recordações, navegantes solitárias, no escuro lago chamado Alzheimer.
Num piscar de olhos acordava e no outro já não estava mais ali. Observava o nada, o infinito e eterno nada.
No lusco fusco de suas lembranças surgiam imagens de sorrisos, batom vermelho e sexo prazeroso. E, num relance, via - se deitada,  o nariz impregnado do cheiro acre de remédios e velha, muito velha, bem mais velha que sua avó.
- Estou viva?
Na janela, a luz esbranquiçada do sol anunciava uma linda manhã. - Uma vontade louca de ir à praia e se juntar aos amigos. Levantava com dificuldade e a praia já não estava mais lá. Tudo escurecia. Escuridão mórbida e avassaladora. A luz se apagara em plena manhã ensolarada.
E, no outro dia ou outra semana, acordava, novamente.
- Mãe, tive um pesadelo. Eu não era mais eu. Não tinha mais minha patota. Eu estava só e triste.
Uma voz suave e falsa, respondia.
- Sou a enfermeira, querida. Não sou sua mãezinha.
Ela olhava aquela mulher vestida de branco e percebia que estava, tristemente, sozinha.
E, enquanto mergulhava, mais uma vez, no oceano escuro de sua mente, lembrou a frase de uma canção, ouvida e repetida muitas e muitas vezes.
- Help, I need somebody.
Escureceu.