quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Espumas flutuantes dissipadas.

Meia noite, metade da noite.
Ao ouvir o som do relógio marcando meia - noite, algo se move dentro de mim. Algo secreto, dolorido e aceitado, porque havia de vir e veio. Não veio antes nem depois da hora, veio na hora certa.
Chegou tão devagarinho e tão rápido que parece que sempre esteve aqui e eu nem percebi. Quando vi, embranqueci. (Esse fio já estava aqui, ontem? Nem percebi.)
Um dia brilhante, agradável, ensolarado, quando chega à noite traz cansaço e sensação de vida a ser e querer ser vivida. Mas é meia noite. Despedidas necessárias. As folhas do livro encontrando a capa dura de fechamento.
Não bate desespero, mas como disse aquele Millor: que pena.
O sorvete acabou. O salão da festa esta esvaziando. Que pena.
O amigo estava aqui mesmo, naquela mesa, onde ele sentava sempre. A mesa olha entristecida, já não se preocupa mais em ser receptiva e se quebra. Cai o copo, derruba a cerveja, esmaece o sol. E, então, chega à meia noite. Ao meio da noite, não ao meio dia. O meio dia faz tanto tempo e parece que foi agorinha mesmo, quase que da pra tocar nele, mas não da. Já foi tocado e só se toca uma vez.
Virá o alvorecer? Não. Que pena.
As espumas flutuantes, flutuam e se dissipam.
Quando se aprende a sambar, a escola está na dispersão. Que pena.
No melhor da festa, os amigos vão parando de dançar. A valsa não rodopia, o rock guarda a guitarra, definitivamente.
Vinícius, meu poeta, permita - me repetir sua pergunta:
- Escuta Amigo, se foi pra desfazer por que é que fez?